A China aprovou pela primeira vez o cultivo de arroz e milho geneticamente modificados, em um movimento que já é considerado um divisor de águas para a produção agrícola do país e do mundo. Isso porque o gigante asiático é o maior produtor mundial de grãos, respondendo por 31% de todo o arroz e 20% de todo o milho colhido no mundo. Com o salto tecnológico da biotecnologia agrícola, especialistas já veem na China um grande potencial de reduzir a fome no mundo, ao aumentar a produtividade de suas lavouras.

No último dia 1º, o Ministério da Agricultura chinês comunicou que aprovou a segurança de um arroz e de um milho transgênicos, além de um novo arroz híbrido. Outras aprovações burocráticas ainda são necessárias antes que as sementes geneticamente modificadas sejam efetivamente comercializadas.

Agora, a China poderá começar a recuperar o passo no aumento da produtividade agrícola, aumentando em muito a produção de alimentos. Isso pode ser percebido a partir de dados da Fundação das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU): entre 1996 e 2007, a produtividade do milho na China recuou 1%. No mesmo período, os Estados Unidos começaram a utilizar o milho transgênico, e a produtividade deu um salto de 19%.

O arroz liberado pelo governo chinês é resistente a insetos. Já o milho foi desenvolvido, ao longo de sete anos, pela Academia Chinesa de Ciências Agrícolas com um gene para a produção de fitase, usada como aditivo na alimentação animal, pois degrada o ácido fítico e, assim, promove a absorção de minerais pelo metabolismo animal. Em conseqüência desse processo, há redução na eliminação de compostos tóxicos (nitrato e fosfato) nos dejetos animais, razão pela qual o aditivo no milho é mandatório na Europa, em regiões da Ásia, na Coreia do Sul, no Japão e outras localidades.

Com a variedade gneticamente modificada, não há necessidade de o criador adquirir fitase e milho separadamente para alimetar o animal. A variedade transgênica, portanto, representa um importante ganho ambiental.

A aprovação dessas variedades não gerará um crescimento imediato na produtividade chinesa, mas criou mecanismos para a aprovação sistemática de culturas transgênicas, disse à agência de notícias Bloomberg News o chairman do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), Clive James. “Uma vez que a China toma esta atitude, será seguida por Índia e Tailândia”, afirmou o executivo na entrevista.

Fonte: Bloomberg – 02 de dezembro de 2009