Uma empresa chinesa de agrobiotecnologia anunciou a licença de um novo milho geneticamente modificado. O milho com fitase deverá ser um dos primeiros milhos transgênicos aprovados e vendidos comercialmente no mercado doméstico. Espera-se que o milho transgênico com fitase seja lançado comercialmente em 2009.

A fitase é atualmente utilizada como aditivo na alimentação animal para quebrar o ácido fítico do milho, pois ela aumenta a absorção de fósforo em animais em 60%. O fósforo é um elemento essencial para o crescimento e desenvolvimento de todos os animais, e desempenha papel chave na estrutura óssea e é vital para as vias metabólicas. O uso de fitase como aditivo para a alimentação animal é obrigatório na Europa, Sudeste Asiático, na Coréia do Sul, Japão e Taiwan para fins ambientais.

O potencial de mercado mundial para a fitase é de US$ 500 milhões, incluindo US$ 200 milhões somente para a China, de acordo com estudo da Indústria de Ração da China. O mercado da semente de milho na China é estimado em US$ 1 bilhão. Embora esteja universalizado o método microbiológico de obtenção da fitase, a empresa busca ser a primeira indústria no mundo a introduzir o milho transgênico com fitase.

O milho GM com fitase foi desenvolvido e licenciado pela Academia Chinesa de Ciências Agrárias (CAAS). Após sete anos de estudo será possível aos produtores de animais eliminarem a compra separada de milho e fitase, economizando tempo, maquinário e trabalhos com a alimentação dos animais.

“O ácido fítico, a principal forma de fósforo em rações animais, está pouco disponível para os animais monogástricos, pois falta uma enzima capaz de hidrolizar o ácido fítico para a liberação de fosfato. A modificação genética é o padrão mundial para o qual a China está se movendo”, segundo Dr. Liu Yun-Fan, cientista da CAAS e membro da Academia Chinesa de Engenharia. Ela continuou, “o nosso milho geneticamente modificado vai reduzir a necessidade de tais suplementos de fosfato e, conseqüentemente, vai reduzir custos…”.

Na China, a quantidade anual de fósforo proveniente de fezes animais totaliza 2,5 milhões de toneladas, o que levou a um grave problema ambiental. O uso da nova variedade de milho deve também reduzir a poluição de fósforo causada por resíduos animais e uso excessivo de fertilizantes. O ácido fítico em estrume animal é uma importante fonte de poluição por fosfato. A fitase diminui a excreção de fósforo orgânico nas fezes em 40%, reduzindo, assim, grande parte da poluição gerada pelo fosfato.

O milho transgênico com fitase foi aprovado pelo Ministério da Agricultura para avaliação da segurança em “testes intermediários” e de “liberação no ambiente” e está atualmente na fase final de avaliação para “teste de produção” segura.

FONTE: Checkbiotech – 28 de fevereiro de 2008