A importância do milho no cenário econômico nacional e mundial levou o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) a elaborar – nos moldes de outros trabalhos desenvolvidos pela entidade – o Guia do Milho – Tecnologia do Campo à Mesa. Só no Brasil, a previsão de colheita do produto, na safra 2005/06, é de 12 milhões de hectares, o que deixa o País na terceira colocação no ranking global de área colhida.

O lançamento oficial da publicação foi realizado no dia 2 de agosto durante o 5º Congresso Brasileiro de Agribusiness, organizado pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).

O Guia – que contou com o apoio da Associação Brasileira das Indústrias do Milho (Abimilho) e do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) – trata dos principais temas que envolvem o desenvolvimento desta cultura milenar, desde o seu surgimento na região hoje ocupada pelo México, passando pelo melhoramento genético convencional e, mais tarde, pela biotecnologia, sempre com foco no agronegócio, abordando ainda temas importantes como a segurança ambiental e alimentar (humana e animal).

O principal objetivo do trabalho é o de esclarecer diversos públicos sobre os benefícios do produto GM, além de desmistificar conceitos muitas vezes divulgados erroneamente sobre esta cultura. A importância da biotecnologia no desenvolvimento do milho que conhecemos hoje, por exemplo, além de detalhes sobre como funcionam as pesquisas científicas e os testes de avaliação dos alimentos transgênicos, também são contemplados no guia.

Potencial brasileiro

O milho cumpre um papel técnico para a viabilidade de outras culturas, como a soja e o algodão – por meio da rotação de culturas que dá sustentabilidade a diferentes sistemas de produção em muitas regiões agrícolas do Brasil –, e tem grande importância econômica como principal componente na alimentação de aves, suínos e bovinos. Além disso, com a crise energética mundial, o milho se torna essencial para programas como os do biodiesel e do etanol. Surge, assim, uma grande oportunidade para que o Brasil definitivamente ingresse como um grande país exportador desse cereal, considerando que Estados Unidos e Argentina, dois dos maiores exportadores para o mercado internacional, irão consumir parte significativa de sua produção para a indústria do álcool. Para se ter uma idéia, os Estados Unidos dedicam para este fim cerca de 30 milhões de toneladas de milho, de um total de 255 milhões de toneladas.

Milho GM

Já são 21,2 milhões de hectares de milho geneticamente modificados do grão plantados legalmente em todo o mundo. Em vários países, como Canadá e Argentina, o produtor já está plantando milho com dois genes combinados; nos EUA, os agricultores já utilizam cultivares com três características combinadas; o Brasil, entretanto, só aprovou recentemente dois projetos de pesquisa em campo com versões resistentes à vespa, o que coloca o produtor brasileiro numa condição de inferioridade tecnológica e em risco a sua própria competitividade. Além disso, diversas solicitações para pesquisa e/ou liberação comercial na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) referem-se a produtos já comercializados há vários anos em outros países. Existem casos que foram encaminhados em 1998 e ainda não foram avaliados.

Particularmente para o pequeno agricultor, o milho GM pode trazer benefícios bastante evidentes no tocante ao aumento de produtividade e à qualidade de grão, maior flexibilidade no manejo da cultura, diminuição do número de aplicações de inseticidas e herbicidas convencionais, o que pode contribuir para o crescimento da produção e, conseqüentemente, das exportações, ranking no qual o Brasil figura, ainda, em nono lugar.

Um dos maiores especialistas em genética do milho no Brasil e um dos consultores do guia, o professor Ernesto Paterniani (Esalq/USP), salienta que as avaliações científicas dos produtos transgênicos são até muito mais rigorosas do que para os produtos convencionais comercializados. “Não é exagero afirmar que com o milho GM há maior segurança para a saúde humana pelo menor uso de agroquímicos e pela menor infestação de fungos – resultantes dos ataques de pragas – que produzem micotoxinas cancerígenas e afetam 45% do milho nacional”, afirma.

Coordenado pela Secretária-Executiva do CIB, Alda Lerayer, o trabalho conta com a consultoria técnica dos professores Ernesto Paterniani (Esalq/USP); Willian da Silva (Unicamp); Luciana Di Ciero (Esalq/USP) e do consultor Leonardo Sologuren (Céleres). O material tem 16 páginas e é ilustrado com imagens, gráficos e tabelas sobre o plantio no Brasil e em diversos outros países, como Estados Unidos, China, México, Índia, além da União Européia.