O III Workshop CIB para Jornalistas, realizado em São Paulo, teve como foco a segurança alimentar dos organismos geneticamente modificados (OGMs). Participaram do evento os cientistas Franco Lajolo, professor do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Edson Watanabe, membro do comitê gestor da Rede de Biossegurança de OGMs da Embrapa Agroindústria de Alimentos, e Alda Lerayer, gerente de biotecnologia do Instituto de Tecnologia dos Alimentos (Ital).

Lajolo apresentou um breve histórico da biotecnologia a partir do desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas. Segundo ele, os OGMs apresentam algumas importantes vantagens em relação aos produtos convencionais. Um exemplo citado refere-se a trabalhos publicados sobre o milho Bt, que por ser menos atacado pelas pragas do que os milhos não-GMs, apresenta menos contaminação por fungos produtores de micotoxinas, substâncias reconhecidamente cancerígenas.

O cientista afirmou ainda que a chamada segunda geração de transgênicos deverá melhorar a qualidade dos alimentos e ajudar no combate às carências nutricionais da população mundial. A Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa) tem estudos avançados para produzir, por exemplo, feijão GM rico em ferro. “Sai mais barato usar a tecnologia para suprir a deficiência do que gastar em tratamentos prolongados”, afirmou. Outra possibilidade que se vislumbra com a biotecnologia é a criação de animais geneticamente modificados, como ocorre na Nova Zelândia, onde vacas receberam novos genes para produzir maior volume de leite e gordura do que os animais convencionais. Lajolo citou ainda o exemplo do arroz dourado, rico em provitamina A. “Uma das principais doenças que afeta crianças na África é a cegueira, que pode ser combatida com esse produto GM, considerando que o arroz é a base alimentar dessa população”.

Avaliações

Na seqüência, o pesquisador Edson Watanabe, engenheiro de alimentos da Embrapa Agroindústria de Alimentos, mostrou aos participantes a bateria de exames e avaliações pelas quais os alimentos transgênicos precisam passar antes de sua comercialização. “Como cada caso é um caso, os OGMs são avaliados individualmente e nas condições adequadas para cada produto”, disse.

Alda Lerayer, gerente de biotecnologia do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), enfatizou que as novidades tecnológicas não estão aí para prejudicar o meio ambiente e o organismo humano. A pesquisadora mostrou a quantidade de produtos já disponíveis no mercado brasileiro que levam em sua composição substâncias produzidas por microorganismos geneticamente modificados (MGMs), de plásticos biodegradáveis ao jeans, passando por pães, queijos, iogurtes, bebidas, biscoitos e outros alimentos presentes na mesa dos consumidores.

Alda ressaltou ainda a complexidade que envolve a questão da rotulagem dos alimentos GMs, uma vez que já é extensa a variedade de produtos que utilizam a biotecnologia para sua produção. Um exemplo comum e de pouco conhecimento da população é o do chiclete. “Pouca gente sabe, mas até o chiclete contém amido de milho, que pode ou não ser GM, o que demonstra a dificuldade de se estabelecer um sistema de rotulagem eficiente”, enfatiza.