O genoma do chimpanzé foi seqüenciado por um consórcio internacional e divulgado na Nature de 1º de setembro, que traz um encarte especial sobre o tema. De acordo com os trabalhos, homens e chimpanzés podem ser mais diferentes do que se imaginava, pelo menos no quesito genético.

Assim como o homem, o Pan troglodytes tem cerca de 3 bilhões de pares de bases e de 20 a 25 mil genes envolvidos na síntese de proteínas. Em termos de letras trocadas no código genético, a diferença encontrada pelos cientistas do Consórcio de Análise e Seqüenciamento dos Chimpanzés é da ordem de 1,2%. Entretanto, quando se considera as duplicações e os rearranjos do DNA, a diferença acaba subindo para 2,7%.

A comparação entre as duas seqüências também pode levar a outros resultados, segundos os autores. Uma das expectativas é que nos trechos diferentes dos dois códigos possa estar a explicação, por exemplo, de por que os humanos desenvolveram a fala e os chimpanzés não.

Em um dos artigos, Barbara Trask, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e colaboradores analisam em especial a duplicação dos segmentos genéticos. Se, no caso dos seres humanos, essas estruturas aparecem com mais freqüência em regiões próximas ao final dos cromossomos, nos chimpanzés isso não ocorre. Provavelmente, essas regiões podem ser consideradas pistas importantes para ajudar a explicar a diversidade genética existente entre as duas espécies de primatas.

A magnitude da publicação do estudo, na edição da revista Nature, é comparável apenas à publicação do primeiro rascunho do genoma humano, na mesma revista, quatro anos atrás. O trabalho principal, assinado por 67 pesquisadores do Consórcio de Seqüenciamento e Análise do Chimpanzé, é acompanhado de 11 outros estudos e artigos comparativos.

“O seqüenciamento do genoma do chimpanzé é uma conquista histórica, destinada a abrir caminho para muitas outras descobertas empolgantes e com implicações para a saúde humana”, declarou o pesquisador Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, nos EUA, um dos coordenadores do projeto. “A comparação do genoma humano com os genomas de outros organismos é uma ferramenta extremamente poderosa para a compreensão da nossa própria biologia.”

Fonte: Ciência Hoje, Agência Estado e Agência Fapesp