Indivíduos alérgicos à proteína presente no alimento podem sofrer choque anafilático se o consumirem

Os dias de restrições alimentares para pessoas que podem sofrer choque anafilático ao consumir ovos podem estar perto do fim. Uma pesquisa pioneira realizada pelas instituições australianas, Universidade de Deakin, Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade das Nações (CSIRO) e Centro de Pesquisa das Cooperativas de Aves Domésticas tem como objetivo a produção de ovos que não causariam esse tipo de reação.

A união da excelência acadêmica da universidade com a experiência da CSIRO na técnica de RNA interferência resultou no desenvolvimento de ovos que não causam alergias. O processo envolve o “desligamento” da parte alergênica da proteína do ovo e a posterior reintrodução de uma versão inofensiva da substância de volta no alimento.

Das 40 proteínas presentes no ovo, quatro são as maiores causadoras de reações alérgicas. Os pesquisadores as “desligaram” e criaram um ovo que pode gerar galinhas que, por sua vez, colocariam ovos livres dessas proteínas. “Essas aves não seriam transgênicas, seriam apenas animais gerados a partir de ovos cujas proteínas foram modificadas”, afirmou o professor Tim Doram, um dos responsáveis pelo projeto.

Ainda segundo o professor Doram, a vida da pessoa que tem esse tipo de alergia tem sérias restrições alimentares. “É muito difícil garantir que os alimentos preparados fora de casa não vão ter traços de ovos que poderão causar reações adversas”.

A expectativa é que o estudo esteja completo em três anos e que ovos não-alergênicos estejam disponíveis para consumo em 10 anos.

Fonte: Universidade de Deakin – 13 de março de 2012