O Brasil está entre os países que mais consomem arroz. Enquanto a média mundial de consumo per capita é de 64 kg/habitante/ano, aqui chegamos a 75 kg/habitante/ano, o que corresponde a um consumo total superior a 11,5 milhões de toneladas anuais. Dada à importância dessa cultura para o País, a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, sob coordenação da professora Márcia Márgis, está desenvolvendo variedades geneticamente melhoradas de arroz, mais tolerantes a estresses bióticos e abióticos, como pragas, doenças e condições adversas de solo e clima.

Um dos braços desse estudo é dedicado à obtenção de plantas de arroz resistentes a um inseto (Oryzophagus oryzae) que ataca a raiz e as folhas. “Estamos utilizando uma proteína retirada da urtiga (Urtica dioica), que já foi testada e comprovadamente tem uma atividade inseticida. Introduzimos no arroz o gene que codifica essa proteína e encaminhamos o material para ser testado na Embrapa”, conta Márcia Márgis. Para ela, que é doutora em biologia molecular de plantas, trata-se de um estudo importante, pois essa praga do arroz pode ser responsável pela perda de até 20% da produção.

Além da resistência da planta a insetos, o grupo se dedica a uma pesquisa sobre, entre outros aspectos, as respostas do arroz a diferentes formas de estresses abióticos. De acordo com Márcia, o objetivo é identificar e compreender como trabalham as enzimas relacionadas ao metabolismo antioxidante da planta, em diferentes condições de solo, clima e temperatura. “Buscamos identificar os genes responsáveis por manter toleráveis os níveis de radicais livres na planta que, assim como nos seres humanos, podem contribuir para o desenvolvimento de doenças.”

Márcia Márgis esteve recentemente na Austrália, onde participou de um workshop com cientistas de renome mundial ligados à pesquisa do arroz e, mais especificamente, à função de cada um dos genes que compõe o seu genoma. Do evento, surgiu a idéia de criar uma rede de pesquisa internacional, que englobe cientistas e laboratórios de diversas partes do mundo, incluindo Japão, China, Vietnã, Estados Unidos, Austrália, e Europa. “O Brasil pode dar sua contribuição para essas pesquisas. Em parceria com a Embrapa, encaminhamos um pedido de financiamento do projeto para fazer parte desse grupo internacional. Estamos apenas aguardando a resposta para poder começar.”

Mais informações podem ser obtidas com a coordenadora do projeto, pelo e-mail margism@biologia.ufrj.br