Em estudo a ser publicado na sexta-feira na revista Science, cientistas da Universidade de Harvard (EUA) anunciam a criação de uma forma revolucionária de obter células-tronco, que dispensa o uso de embriões humanos e contorna várias objeções éticas a estudos desse tipo. “Mas isto é só um primeiro passo”, declarou Kevin Eggan, um dos pesquisadores do Instituto de Células-Tronco da Universidade de Harvard.

A equipe, liderada pelo biólogo Chad Cowan, relata como a “fusão” de células adultas da pele com células-tronco embrionárias fez com que as células especializadas se “reprogramassem” para funcionar em seu estado embrionário. As células obtidas têm os cromossomos das células adultas e os das embrionárias. Caso os pesquisadores consigam remover das células híbridas resultantes o DNA das células embrionárias – um grande desafio técnico –, e caso elas continuem a exibir o comportamento de células-tronco, a técnica pode ser usada no futuro em tratamentos personalizados contra doenças genéticas. “Devo enfatizar que a nova técnica não está pronta para uso habitual, e também não substitui as técnicas que já tivemos para a obtenção de células-tronco de embriões”, acrescentou.

Os defensores das pesquisas com este tipo de célula afirmam que, nos Estados Unidos, já existem cerca de 400 mil embriões humanos congelados que, eventualmente, serão destruídos, e que o resultado dos tratamentos para infertilidade produzem excesso de embriões.

Em agosto de 2001, o presidente americano, George W. Bush, decidiu que o Governo Federal de seu país destine recursos apenas a pesquisas com algumas células-tronco existentes até o momento, por causa das “profundas questões éticas e morais” em que esta prática implica.

Fonte: Universidade de Harvard, Agência EFE e Ciência Hoje