Compartilhar informação e conhecimento é o ponto de partida para o avanço definitivo da agricultura mundial. Em resumo, essa foi a tese defendida pelo britânico Clive James, presidente do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa), na manhã de hoje, durante seminário realizado na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Para ele, a ferramenta biotecnológica pode melhorar a produtividade das lavouras; proteger a biodiversidade; reduzir em até 50% o uso de agentes químicos nas plantações; e providenciar a estabilidade dos produtos.
“Mas vamos ser modestos. A tecnologia deve ser apresentada como uma grande contribuição, não como a solução final para questões como a fome no mundo”, ressaltou, ao completar que todas as características citadas anteriormente se traduzem em sustentabilidade.
Nascido e formado no País de Gales, James disse que, no caso brasileiro, a biotecnologia pode contribuir para aprimorar lavouras em grandes territórios a serem explorados, como na região do cerrado. “A técnica representa versatilidade e pode dar flexibilidade aos pequenos produtores, mais pobres. Acredito que o presidente Lula dê muito valor a isso”, avaliou.
Na palestra, sob o tema Panorama Mundial dos Cultivos Transgênicos, James indicou que novos mercados serão abertos ao consumo de alimentos geneticamente modificados nos próximos cinco anos. Dentre eles, citou Paquistão (“eles querem alcançar o topo da lista nesse período”) e Tailândia, na Ásia, Egito e Burkina Fasso, na África, Chile e Bolívia, na América do Sul, e Rússia e República Checa, na Europa. Segundo o presidente do Isaaa, apenas as plantações de milho Bt podem saltar dos atuais 12 milhões de hectares para 45 milhões de hectares.
Clive James comentou que compartilhar conhecimento também proporciona a formação de parcerias de sucesso entre empresas privadas e iniciativa pública. Até sugeriu a aproximação do Isaaa com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Afinal, a instituição brasileira tem pesquisas avançadas com o mamão papaia resistente ao vírus da mancha anelar – o que vem ao encontro de um programa que o Isaaa está desenvolvendo no sudeste asiático. “Os vietnamitas, por exemplo, consomem papaia o dia inteiro e têm total interesse em cultivar um fruto mais resistente”, analisou.