Evento debateu aspectos da biotecnologia no desenvolvimento de variedades transgênicas

O evento em comemoração aos 10 anos do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) reuniu nesta manhã de segunda-feira mais de cem pesquisadores, formadores de opinião e jornalistas em São Paulo. 

Nas palestras, pesquisadores brasileiros e internacionais falaram de aspectos científicos e sociais do desenvolvimento de variedades transgênicas no mundo.

Siang Hee Tan, coordenador da CropLife Asia, falou do desenvolvimento e uso de variedades transgênicas na Ásia. Segundo ele, o grande usuário desta tecnologia na região são os pequenos produtores. “Os agricultores asiáticos que têm a oportunidade adotam sementes geneticamente modificadas e a maioria deles é de pequenos agricultores”, explicou. Este volume deve inclusive aumentar bastante nos próximos anos, entre outras razões pelo investimento pesado no uso de plantas geneticamente modificadas feito pela China. “Em 2016, 50% das plantas geneticamente modificadas comerciais virão da Ásia”, contou Siang. 

As plantas geneticamente modificadas também estão ajudando países pobres a resolver problemas de alimentação. É o caso do Programa de Suporte à Biotecnologia na Agricultura II (ABSP II), parceria da Universidade de Cornell e do governo dos EUA, apresentado por Andrea Besley. O ABSP II tem projetos na Índia, Bangladesh, Indonésia, Mali e Filipinas, Uganda com diferentes alimentos. Um deles é a berinjela na Índia. Naquele país, cerca de 50% da plantação é destruída por um inseto. Nos últimos dez anos, o ABSP II desenvolveu uma variedade transgênica resistente a ele.  Tecnicamente, ela está disponível, mas ainda falta autorização para o seu plantio. Caso semelhante acontece com o arroz dourado que tem uma alta concentração de pró-vitamina A, e literalmente pode salvar vidas – estima-se que 190 milhões de crianças e 20 milhões de grávidas são afetadas anualmente pela falta dela. “Quarenta gramas de arroz dourado por dia são suficientes para que uma pessoa não morra devido à falta de vitamina A”, explicou Adrian Dubock, coordenador do Projeto em sua apresentação. Atualmente, o arroz dourado já está nas mãos, por exemplo, de pesquisadores na Índia, mas precisa agora ter seu uso aprovado pelas autoridades do país. 

A questão regulatória foi diretamente abordada no evento com duas palestras sobre organismos geneticamente modificados na Europa, uma de Sylvia Burssens, da Universidade de Gent, na Bélgica, e outra de Paulo César Gonçalves Egler, do Bureau Brasileiro para Ampliação da Cooperação Internacional com a União Europeia. “O sistema regulatório europeu é complexo e ineficiente”, comentou Sylvia. E completou: “Há inclusive diferenças entre a visão da União Europeia e dos países em relação a organismos geneticamente modificados.”

A diretora-executiva do CIB Adriana Brondani também falou no evento. Ela fez um balanço da evolução da biotecnologia no Brasil, destacando a importância do trabalho dos centros de excelência brasileiros e a qualidade do marco regulatório do País. Essa combinação de excelência e uma lei consistente permitiu, por exemplo, que a  Embrapa desenvolvesse e aprovasse em setembro de 2011 o feijão transgênico conforme mostrou em sua apresentação Francisco Aragão, pesquisador da empresa. Desenvolvido para combater a doença do mosaico dourado, que destrói anualmente de 90 mil a 280 mil hectares de feijoeiros e obriga o Brasil a importar feijão, ele estará no mercado em breve. “Em 2012, sementes do feijão transgênico devem estar disponíveis para plantio no Brasil. A Embrapa está inclusive avaliando levá-lo para outros países da América Latina que também tem o mosaico dourado”, afirmou Francisco.