A Revista Nature publicou na semana passada o seqüenciamento completo do genoma do arroz. O estudo é resultado de um consórcio de dez países, liderado pelo Japão, e que tem entre seus participantes Brasil, Canadá, Estados Unidos, China, Índia, Tailândia, Taiwan, França e Reino Unido.

“Participamos em conjunto com os japoneses. Nós seqüenciamos uma fração de um dos cromossomos do arroz”, disse Paulo Zimmer, do Centro de Genômica e Fitomelhoramento da Universidade Federal de Pelotas, em entrevista à Agência FAPESP. Outros quatro pesquisadores, também do Rio Grande do Sul, assinam o artigo ao lado de dezenas de cientistas de diversos países.

Nos 12 cromossomos da espécie Oryza sativa, subespécie japonica, os pesquisadores identificaram 400 milhões de bases de DNA e 37.544 genes. “Esse é ao mesmo tempo um genoma pequeno, mas que serve muito bem como um bom modelo”, explica Zimmer.

Segundo o pesquisador, a evolução simultânea do genoma do arroz e de espécies como milho, trigo, cevada, aveia e centeio, ao longo de milhões de anos, poderá facilitar o trabalho para todos esses vegetais a partir de agora. “Em alguns casos, as informações do arroz poderão ser usadas para outras espécies. Hoje, por causa do tamanho dos genomas, seria impossível seqüenciar as demais espécies”, afirma Zimmer.

“As informações genômicas de agora, ao lado dos bancos de mutantes, poderão levar a resultados importantes, de muito interesse para a agricultura”, afirma Zimmer. O arroz, consumido por mais da metade da população mundial, demonstra ter mais genes que a própria espécie humana.

A Índia, que fez parte do consórcio, produz 90 milhões de toneladas de arroz por ano e tem perdas de 15% da produção por conta de problemas climáticos e pragas. De acordo com S. N. Shukla, Diretor Geral do Conselho de Pesquias Agrícolas da Índia, agora no país serão desenvolvidas pesquisas para encontrar genes para desenvolver plantas tolerantes à salinidades, à seca e resistentes à pragas. No curto prazo o conhecimento do genoma do arroz poderá acelerar os programas de melhoramento convencional, permitindo aos pesquisadores produzir variedades que serão resistentes à seca e doenças, que poderão ser cultivadas em condições de clima frio e na altitude. O Arroz é um alimento consumido por mais da metade da população mundial, com três bilhões de pessoas dependendo de seu consumo em todo o mundo.

Fontes: Agência Fapesp e The Times Of India / 15 August 2005 /http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=4161