De acordo com estudo divulgado pela Comissão Europeia, a decisão de compra pode ser tomada em razão de preços mais baixos ou vantagens para o consumo

Muitas pesquisas sobre a atitude do consumidor relativa a alimentos geneticamente modificados (GM) avaliam a disposição das pessoas para comprar os produtos em situações hipotéticas. No entanto, evidências de um estudo recém divulgado pela Comissão Europeia sugerem que os consumidores não necessariamente agem da forma que dizem que vão agir. Isto significa que as pessoas que dizem que não comprariam alimentos GM podem, de fato, comprá-los, especialmente se conhecerem os benefícios dos produtos.

Bancas de frutas

Para observar os consumidores em uma situação real, pesquisadores da Universidade de Otago, (Nova Zelândia) montaram barracas de frutas em ruas de seis diferentes países: Bélgica, França, Alemanha, Nova Zelândia, Suécia e Reino Unido. As tendas vendiam morangos, uvas e cerejas que apresentavam três rótulos diferentes: “orgânico, certificado Biogrow” (produto para fortalecimento da planta), “baixo resíduo, produzido em área com potencial para área de conservação” e “100% livre de defensivos, geneticamente modificado”. Se os clientes perguntavam sobre as frutas GM, os fornecedores explicavam que continha genes que faziam a planta produzir seu próprio inseticida natural. Na verdade, todas as frutas eram do mesmo local, variedades convencionais com baixa aplicação de defensivos.
Além disso, os pesquisadores conduziram pesquisas com questionários nesses países, que propuseram a mesma situação, usando fotografias das frutas.

Resultados reais

Houve diferenças surpreendentes entre as escolhas dos dois grupos. Nos questionários, quando os frutos rotulados “orgânico” apresentavam preços 15% superior ao valor de mercado e as frutas GM, preço reduzido em 15%, a escolha mais popular para os clientes neozelandeses e suecos era “orgânico”. No entanto, nas barracas de frutas reais, os frutos GM foram os mais escolhidos.

Clientes alemães indicaram na pesquisa que eles preferiram frutos “baixo resíduo” (preço de valor de mercado), mas também eram mais propensos a comprar “100% livre de defensivos, geneticamente modificado” nas bancas.
Dada a mesma condição de preços, o fruto geneticamente modificado foi a escolha mais popular ou a segunda mais popular em três dos cinco países europeus nas bancas de fruta, apesar de ser a opção menos popular nos questionários em cada país, quando todos os preços foram fixados em valor de mercado. O market share para as frutas GM nos cinco países, considerando as decisões de compra nas bancas, variou entre 15% e 43%, dependendo do preço oferecido.

Expectativa social

Depois de fazer as suas compras nas bancas, 100 clientes foram questionados sobre suas decisões. O preço foi um fator comum. Muitos clientes que compraram “orgânico” ou “baixo resíduo” disseram tê-lo feito por força do hábito, e alguns acreditaram que as frutas orgânicas pareciam melhor e mais saborosas.
Mesmo tendo provado todas as frutas, alguns consumidores não acreditaram que todos os frutos eram os mesmos, com a mesma origem.
Estes resultados sugerem que as pesquisas já realizadas podem ter exagerado o grau de sentimento negativo em relação aos produtos geneticamente modificados. Os investigadores concluem que “a expectativa social” leva as pessoas a fazer escolhas diferentes em uma situação de pesquisa das que fariam em uma situação de consumo real. Em outras palavras, uma pessoa pode ser mais propensa a escolher um produto mais barato, geneticamente modificado, se acreditar que ninguém está olhando. Entretanto, em uma situação de aplicação de um questionário, há um desejo maior de fazer uma escolha considerada socialmente aceitável.
Os pesquisadores apontam que seu raciocínio foi inferido a partir dos comentários que coletaram. No entanto, eles acreditam que suas descobertas mostram que os alimentos transgênicos serão mais aceitos pelos consumidores se forem mais baratos e suas vantagens (por exemplo, ausência de resíduos de pesticidas) forem claramente identificadas ou explicadas.

Fonte: European Commission – Science for Environment Policy – 25 de maio de 2012