Há um amplo consenso entre os cientistas de que os organismos geneticamente modificados (OGM) são seguros para consumo. Além disso, eles sempre apontam o potencial desses produtos proporcionarem benefícios, a exemplo de aumento do conteúdo nutricional, maior produtividade, melhor vida de prateleira e resistência a doenças de culturas. Ainda assim, muitas pessoas são contra os transgênicos e manifestam preocupações sobre essa tecnologia.

Um estudo recente apontou que à medida que aumenta essa preocupação com os alimentos geneticamente modificados (GM), menor é o conhecimento sobre ciência e genética. Ou seja, a oposição pública à ciência frequentemente está mal fundamentada. O trabalho foi feito por pesquisadores dos Estados Unidos e do Canadá e publicado na Nature Human Behaviour em janeiro deste ano.


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Como foi realizado o estudo?

A pesquisa foi desenvolvida com uma amostra nacionalmente representativa de pessoas dos Estados Unidos. Foram entrevistados 501 adultos selecionados aleatoriamente, testando seus conhecimentos sobre os OGM. O teste foi realizado por meio de perguntas que deveriam ser respondidas com “verdadeiro” ou “falso”. Os assuntos abordados tratavam do entendimento público sobre ciência (por exemplo, “Elétrons são menores que átomos”). Entre as questões, cinco itens referiam-se à genética (como no caso de “Todas as plantas e animais possuem DNA”).

A pesquisa se concentrou em revelar o que as pessoas, de fato, sabiam. Entretanto, também foi medido o quanto elas achavam que sabiam. Ou seja, foi realizado um teste para que os respondentes pudessem se autoavaliar. Além disso, o trabalho também testou quão fortemente os participantes se opunham aos OGM. A escala de sete pontos ia desde um simples desejo de regulá-los até a inclinação de se opor ativamente a eles participando de protestos ou doando para organizações anti-OGM.


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Críticos aos OGMPessoas que são contra os transgênicos sabem o mínimo, mas acham que sabem mais

Como resultado, foi descoberto que à medida que aumenta a oposição e a preocupação das pessoas com os alimentos GM, diminui o conhecimento objetivo sobre ciência e genética. Contudo, a percepção que essas pessoas apresentam de si mesmas no que diz respeito ao assunto aumenta. Ou seja, os oponentes extremos sabem o mínimo, mas acham que sabem mais.

Resultados semelhantes foram obtidos em um estudo paralelo com amostras representativas das populações da França e da Alemanha. Em todos os casos, com o aumento da oposição aos transgênicos, o conhecimento objetivo da ciência e da genética diminuiu, mas o saber autoavaliado aumentou. 

E no Brasil? Há dados sobre o conhecimento das pessoas sobre transgênicos?

Em 2016, pesquisa conduzida pelo IBOPE CONECTA revelou que o brasileiro não relaciona a produção de alimentos com a aplicação de conhecimento científico. Segundo dados do levantamento, apesar de 79% dos entrevistados declararem ter interesse por ciência, apenas 23% dos respondentes acreditava que o conhecimento científico auxiliava na produção de alimentos. A amostragem foi de 2011 homens e mulheres a partir de 18 anos, das classes A, B e C, de todas as regiões do País.

Especificamente sobre a percepção da transgenia, a grande maioria de respondentes (73%) afirmou já ter consumido transgênicos. Entre os 27% que não sabiam ou afirmaram que não ingeriram, 59% se mostraram abertos a experimentar. Neste caso, quanto maior o conhecimento sobre ciência, maior era a receptividade aos OGM. Em linha com os estudos científicos, testes e análises de biossegurança, que garantem que os transgênicos são seguros para alimentação humana, animal e para o meio ambiente, apenas uma minoria acreditava que eles fazem mal (33%) ou causam reações alérgicas (29%).

Pesquisa global conduzida recentemente (2018) pelo Instituto Ipsos, mostrou que os brasileiros estão entre aqueles que mais aceitam os transgênicos. Dentre 29 nações, os brasileiros figuravam em 4º lugar, atrás apenas dos Estados Unidos, Grã Bretanha e Canadá. Segundo o levantamento, apenas 41% dos respondentes daqui se mostraram contra os transgênicos. Por outros lado, 48% se revelaram abertos a essa inovação e 10% afirmaram não saber.

Fonte: Redação CIB, fevereiro de 2019