Técnico agrícola e agricultor contam na Rio+20 como a introdução do algodão geneticamente modificado (GM) reergueu a economia local

Um dos principais cases divulgados pela iniciativa SustainAGRO revelou, no dia 15 de junho, em side event oficial da Rio+20 no Riocentro, resultados que vão ao encontro de um dos temas centrais da conferência: economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.

Trata-se do projeto “Retomada do cultivo do algodão no norte de Minas Gerais”, por meio do qual uma comunidade de pequenos produtores de algodão se uniu, há sete anos, em torno de uma cooperativa que transformou a vida de mais de 120 famílias.

Na década de 1980, cerca de 20 mil agricultores plantavam 130 mil hectares de algodão convencional na região do semiárido, e a cultura era a principal fonte de renda de vários municípios.

Contudo, devido ao clima e à resistência ao bicudo-do-algodoeiro, as plantações foram dizimadas entre os anos 80 e 90, abrindo espaço para outras atividades menos empregadoras e aumentando a migração da população para outros Estados.

Capitaneado pela Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat), o programa teve início com o levantamento das características da região e o impacto social da constante redução da área plantada, que gerava o aumento do desemprego local.

Tecnologia e manejo

A partir daí, o uso da tecnologia se mostrou fundamental para a transformação. Os produtores deram início à introdução do algodão Bollgard, resistente a insetos-pragas, em cinco unidades experimentais – áreas parciais em pequenas propriedades – em quatro cidades vizinhas, totalizando 10 hectares.

A adoção da variedade geneticamente modificada de algodão aumentou a produtividade das fazendas, alavancando a economia regional. Os pequenos produtores locais, com apoio integrado da cooperativa, do poder público e de empresas privadas, atingiram níveis de produção sustentáveis.

Desenvolvimento socioeconômico

A diretora-executiva do CIB, Adriana Brondani, destaca o papel da adoção da biotecnologia no campo. “Trata-se de uma tecnologia inovadora, que não apenas permite reduzir os custos, e, consequentemente, aumentar os ganhos econômicos para o produtor, como também apresenta vantagens bastante relevantes no que diz respeito à preservação de recursos naturais”.

Atualmente, 168 famílias fazem parte do programa, reunindo 873 hectares de algodão. Em 2011, a região foi certificada como sustentável pela entidade privada Better Cotton Initiative (BCI).

De acordo com José Tibúrcio Filho, técnico responsável pelo projeto, as famílias produziam pouco. Agora, com melhor manejo e uso consciente da tecnologia, “além de aumentar a produtividade de 30 para mais de 200 arrobas por hectare, houve redução no uso de defensivos de 25 para sete aplicações, melhorando também a relação com o meio ambiente”.

Fonte: SustainAGRO – 16 de junho de 2012