Os cromossomos são formados por DNA e por um grupo de proteínas denominadas histonas. O DNA é considerado a molécula da vida pois nele, estão “escritas” todas as instruções para a produção de nutrientes, que são necessários para a existência de todos organismos vivos. Por isso, a transferência do DNA para os descendentes é importante. As histonas, por sua vez, ajudam a compactar o DNA, permitindo que, em seu estado mais condensado, seja possível fazer análises e enumerá-lo.

São os cromossomos que carregam e transferem os genes de um organismo para os seus descendentes. Ou seja, são responsáveis por definir as características de cada indivíduo.e não fossem eles, essa transmissão de conteúdo seria bem difícil para organismos mais complexos como nós, seres humanos.

Estrutura dos cromossomosestrutura dos cromossomos

Os cromossomos se tornam visíveis durante o processo de divisão celular. Esse é o momento em que a célula vai se dividir para dar origem a outra célula. Aqui é possível observar estruturas longas bem definidas, conhecidas como cromátides, unidas por uma região de maior condensação, chamada de centrômero.

Os cromossomos podem ser diferenciados com relação a posição do centrômero. A cromátide situada acima do centrômero é chamada de braço curto e abaixo do centrômero fica o braço longo.

Tipos de cromossomos

Os cromossomos são classificados em quatro tipos, conforme a posição do centrômero:

Tipos de cromossomos

Compactação do DNA

Pequenas proteínas conhecidas como histonas são as responsáveis por “organizar” a compactação do DNA. Um cromossomo é composto por uma única fita de DNA contínua (que possui entre 60 e 250 milhões pares de bases) compactada por muitas histonas. Uma vez compactado em cromossomo, o DNA terá um formato dez mil vezes mais curto. Dessa forma, ele se transforma em uma estrutura visível. Essa conformação é importante para a divisão celular e para transmissão dos fatores genéticos aos descendentes.


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Descoberta dos cromossomos

Os cromossomos foram observados pela primeira vez na década de 1860. Cientistas visualizaram manchas ao estudarem divisão celular de insetos. Essas manchas, mais tarde, seriam identificadas como os cromossomos.

O termo “cromossomo deriva do fato de que essas estruturas estavam visivelmente manchadas (“croma” significa “colorido” em grego) e, nesses estudos, os pesquisadores utilizavam técnicas de coloração das estruturas celulares.

No entanto, a identificação de que os genes estavam nos cromossomos aconteceu muitos anos depois, na década de 1910. Nessa época, os pesquisadores da Universidade de Columbia, confirmaram a teoria de que eles eram responsáveis pela hereditariedade (proposta por Mendel) e, por isso, receberam o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina.

Assim, a ciência que estudava as células começou a se relacionar com as pesquisas sobre os “fatores de Mendel” (genes). Cada vez mais os trabalhos científicos descreviam que o DNA era compactado dentro dessas células, se duplicava e passava para a geração seguinte.


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Humanos com 48 cromossomos?

Os pesquisadores acreditavam que as estruturas visualizadas no interior das células estavam relacionadas com os fatores de transmissão das características dos seres vivos e, dessa maneira, concentraram-se em observar o movimento e o número dessas estruturas. No entanto, a relevância para o número de cromossomos dentro das células tornou-se importante após perceberem que as diferentes espécies tinham números distintos de cromossomos.

A discussão sobre quantos eram os cromossomos nos humanos durou alguns anos. Até 1955 os cientistas acreditavam que eram 48 e não 46. A dificuldade de se obter células em divisão e a ausência de técnicas adequadas de coloração foram os principais motivos para isso.

Na verdade, diversos trabalhos apontavam uma variação no número de cromossomos (entre 46 e 48) e a maioria mencionava 48. Em 1956, dois pesquisadores. Joe Hin Tijo e Albert Levan, provaram que o número correto era 46 ao apresentarem imagens de células embrionárias de quatro indivíduos diferentes com todas exibindo o mesmo resultado.

Albert Levan e joe hin tijio-cromossomos

Albert Levan à esquerda, placa metafásica humana mostrando 46 cromossomos ao centro e Hin Tjio à direita

Cromossomos nas diferentes espécies

O número de cromossomos não varia em indivíduos da mesma espécie. Nós seres humanos possuímos 46 cromossomos. Qualquer número diferente deste pode levar a uma patologia genética.

No entanto, o número de cromossomos varia entre as diferentes espécies e isso não está relacionado com a complexidade de um organismo. Veja alguns desses organismos e seus respectivos número de cromossomos:

  • Cavalo: 66
  • Macaco 48
  • Café 44
  • Trigo: 42
  • Gambá: 22
  • Pepino: 16
  • Mamão 18
  • Aveia: 42

Existem ainda, organismos que são haplóides (células apresentam apenas um par de cromossomos). Esses são capazes de realizar reprodução assexuada.

Encontram-se nesse grupo as bactérias, fungos e algas.

Todos os animais e a maioria das plantas são diplóides (possuem pares de cromossomos). Esses organismos realizam reprodução sexuada, ou seja, cada par de cromossomo é formado por um cromossomo proveniente do sexo feminino e outro do sexo masculino.

Nos diplóides, os pares de cromossomos são denominados cromossomos homólogos, pois estes têm sequências de DNA geralmente iguais, podendo exibir pequenas variações.


Organismos poliplóides
Muito comum em plantas, a poliploidia acontece quando células apresentam mais de dois pares cromossômicos, é o caso do morango que possui 56 cromossomos. Nos seres humanos, a poliploidia leva a profundas anormalidades e à morte.


A espécie humana é diploide e possui 46 cromossomos, 23 provenientes da mãe e outros 23 cromossomos provenientes do pai. No entanto, as células dos gametas (espermatozóide e óvulo) são haplóides, o que permite a fusão com outro um gameta haplóide do sexo oposto gerando uma célula diplóide.

Os cromossomos ainda podem ser classificados quanto a sua função. Os chamados autossômicos são aqueles que determinam as características comuns à espécie e são identificados por números (por exemplo, cromossomo 16). Já os sexuais são responsáveis pela determinação do sexo de cada indivíduo e são identificados pelas letras X e Y, onde XX são mulheres e XY homens.

Doenças genéticas por excesso ou falta de cromossomos?

Dentro de uma mesma espécie, a existência de um número diferente de cromossomos (mais ou menos que o usual) pode resultar em doenças genéticas. Nos seres humanos, as Síndrome de Down, Turner e Klinefelter, por exemplo, são causadas por isso. A síndrome de Down é é conhecida como trissomia do cromossomo 21. Isso porque ela ocasionada pela presença de um cromossomo extra (no caso, o 21).


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Hoje, o avanço das técnicas para marcação e identificação de diferentes regiões cromossômicas permitem a definição de diversas anormalidades cromossômicas, desde grandes duplicações a microdeleções. Essas alterações podem levar a perdas reprodutivas, malformações e até mesmo estarem relacionados com a pré-disposição ao desenvolvimento de câncer.

Atualmente, com as tecnologias para mapeamento dos cromossomos, ou seja, identificação de regiões específicas do cromossomo, é possível que pessoas identifiquem o risco genético de estarem sujeitos às principais doenças genéticas já identificadas.