O agricultor brasileiro terá disponível mais uma variedade de milho geneticamente modificado (GM) para produzir. Em reunião na tarde desta quinta-feira, 20 de setembro, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) emitiu parecer técnico favorável à liberação comercial do milho BT11 resistente a insetos. O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), entidade cujo grupo de conselheiros reúne 75 cientistas e pesquisadores em atividade nas mais importantes instituições brasileiras, reconhece todo o trabalho desenvolvido pelos cientistas da Comissão, que mais uma vez exerceram com isenção e comprometimento social as atividades para as quais foram indicados.

Esta é a terceira aprovação de variedades geneticamente modificadas de milho em quatro meses. Em maio e em agosto, a CTNBio liberou a comercialização de versões tolerante a herbicidas e resistente a insetos, respectivamente. Com a decisão de hoje, a nova variedade aprovada recebe aval de segurança alimentar humana, animal e para o meio ambiente. O milho BT11 já é produzido e consumido em diversos países como Estados Unidos, Canadá, Argentina, Japão, África do Sul e Uruguai.

A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar responsável por assessorar tecnicamente o Governo Federal na implementação da Política Nacional de Biossegurança, bem como no estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos conclusivos referentes aos organismos geneticamente modificados e derivados. Por isso, o CIB respeita e apóia as decisões da Comissão, que garantem a biossegurança do País.

Variedades de milho transgênico aprovadas e em aprovação na CTNBio são cultivadas e consumidas em outros países há mais de uma década. Atualmente, há milho GM legalmente aprovado em 14 países. De acordo com informações do Serviço Internacional de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), somente em 2006 foram cultivados 25,2 milhões de hectares desta variedade no mundo. Até hoje, não foi identificado nos produtos aprovados dano algum à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. Esses produtos só chegaram ao campo e à mesa dos consumidores após diversas e rigorosas avaliações científicas, definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Food and Agriculture Organization (FAO) – entidades que já manifestaram apoio aos alimentos transgênicos, a exemplo de outras, como a Agência de Biotecnologia da Austrália, a Agência de Controle de Alimentos do Canadá e até mesmo a Academia de Ciências do Vaticano.

Dados complementares

– O milho é a terceira cultura mais cultivada no mundo. No Brasil, são colhidos em média 12 milhões de hectares a cada safra, o que coloca o país como o terceiro no ranking mundial de área colhida.

– Além da sua importância econômica como principal componente na alimentação de aves, suínos e bovinos, o milho cumpre papel técnico importante para a viabilidade de outras culturas, como a soja e o algodão, por meio da rotação de culturas, minimizando possíveis problemas como nematóides de galha, nematóide de cisto e doenças como o mofo branco e outras, dando sustentabilidade para diferentes sistemas de produção em muitas regiões agrícolas do Brasil e do mundo.

– A aplicação da Biotecnologia no melhoramento do milho permite adicionar novas características à planta, dando origem a híbridos que apresentam vantagens competitivas em comparação com o cereal convencional. Em países como Estados Unidos, Canadá e Argentina, produtores vêm colhendo tais benefícios há muito tempo, já que há mais de 10 anos variedades GM estão sendo cultivadas e comercializadas.

– De acordo com levantamento realizado pela consultoria Céleres, os agricultores brasileiros deixarão de acumular US$ 6,9 bilhões nos próximos dez anos se não forem utilizadas variedades GMs de milho.

– Algumas das vantagens já conhecidas proporcionadas por diferentes cultivares de milho transgênico: maior rendimento por hectare – redução da perda em razão da menor incidência de pragas; diminuição do número de aplicações de agroquímicos e, em conseqüência disso, economia de combustível nos equipamentos e redução na emissão de poluentes; baixa incidência de micotoxinas no milho resistente a pragas (substâncias tóxicas derivadas da contaminação da espiga por fungos) em comparação com híbridos convencionais; contribuição para o controle de plantas daninhas; redução no dano causado por insetos-pragas; melhoria do sistema radicular (raiz) do milho resistente a pragas do solo com conseqüente redução do tombamento das plantas.

– A análise de segurança do milho GM não é diferente de outros produtos derivados da aplicação da Biotecnologia. Cada um deles é extensivamente avaliado no que diz respeito à segurança alimentar, com base em protocolos reconhecidos internacionalmente por instituições de alta credibilidade, a exemplo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Food and Agriculture Organization (FAO).

– Individualmente, as cultivares de milho GM são submetidas a testes que vão considerar características como toxicidade, potencial alergênico e composição. As avaliações são realizadas em diferentes estágios, caso a caso, desde o início do desenvolvimento da planta em laboratório, seguido pela fase de experimentos em campo até a conclusão dos trabalhos. Ou seja: o produto só é colocado no mercado se for tão seguro quanto sua variedade convencional. Vale ressaltar que o milho GM resistente a insetos é considerado seguro para o consumo humano e animal, pois é altamente específico para o inseto-alvo.

– De acordo com o mais recente relatório do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), o plantio de transgênicos no Brasil avançou 22%, de 2005 para 2006, chegando à marca de 11,5 milhões de hectares cultivados. A área cultivada com soja GM cresceu 2 milhões/ha, saltando para 11,4 milhões/ha. O plantio de algodão GM, legalizado no ano passado, totalizou 120 mil/ha.Desta forma, o País chegou à terceira posição do ranking mundial de produtores de transgênicos.

– Segundo estudo conduzido em 2006 pela consultoria PG Economics, no Reino Unido, “Impactos Globais das Lavouras GM: Efeitos Socioeconômicos e Ambientais nos Primeiros Dez Anos de Uso Comercial”, o cultivo de transgênicos, desde 1996, proporcionou uma redução mundial na ordem de 15,3% no impacto ao meio ambiente decorrente da utilização de agroquímicos, totalizando 224 mil toneladas a menos na emissão direta de agrotóxicos no meio ambiente. (http://www.agbioforum.org/v9n3/v9n3a02-brookes.htm ).

– Somam-se a este resultado a diminuição do uso de combustível nas lavouras, devido à redução da aplicação do pesticida e, também, a redução na emissão de gás carbônico pelas lavouras transgênicas, em conseqüência da sua compatibilidade com o uso da técnica do plantio direto, que propicia a conservação do solo. Assim, a redução do uso de agroquímicos, de 1996 a 2005, mais os fatores resultantes combinados proporcionaram, juntos, a diminuição de mais de 9 milhões de toneladas de emissões de CO2 na atmosfera, o que representa retirar de circulação todos os carros da cidade de São Paulo durante um ano.