Cuba pode autorizar em breve a plantação de 124 acres de milho geneticamente modificado pela primeira vez, decisão que, segundo cientistas cubanos, poderá ajudar na redução da dependência de importação de alimentos naquele país.

Espera-se que com essa aprovação a safra inicial de milho GM alcançará a marca de 14.830 acres no próximo ano, disse Carlos Borroto, vice-diretor do Instituto Estadual de Engenharia Genética e Biotecnologia.

Cuba importa cerca de 60% de seus alimentos, incluindo grandes quantidades de soja, trigo e milho. Os EUA são os maiores fornecedores da ilha de regime comunista, de acordo com uma emenda do tratado comercial de embargo imposta à ilha.

O presidente de Cuba, Raul Castro, recentemente referiu-se ao aumento da economia relacionado à agricultura a um tema de “segurança nacional”. A expectativa é de que mais de US$ 2 bilhões do cofre do governo sejam direcionados para a importação de alimentos.

Borroto disse ainda que o milho GM similar ao que será aprovado em Cuba já passou por um severo controle em países como Japão e Canadá, além de outros na Europa. Laboratórios cubanos também estão desenvolvendo outros produtos GMs a exemplo de soja, batata e tomate.

O Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), uma entidade que promove alimentos GM, estima que cultivares GM são plantados em 23 países, em sua maioria por fazendeiros pobres de países em desenvolvimento.

“Há necessidade de mais e melhores alimentos, em termos nutritivos e essa tecnologia pode prover isso”, disse Clive James, cientista britânico que foi convidado a ir para Havana pelo Instituto Cubano e presidente administrativo do ISAAA. “Acredito que há uma oportunidade para Cuba seguir esse caminho em breve”, enfatizou.

A safra cubana foi danificada neste ano por três furacões, o que causou um prejuízo de aproximadamente US$ 10 bilhões. A tempestade destruiu 30% das plantações do país, além de desencadear a escassez de alimentos.

Fonte: comcast.net News 02.12.2008