Cuba terá sua primeira plantação de milho geneticamente modificado (GM) para ajudar a reduzir sua dependência de importação onerosa de alimentos.

O Centro Cubano de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) de Havana iniciará o plantio experimental de 125 acres de milho GM, provisoriamente chamado de FR-Bt1. A variedade está em processo de regulamentação para sua liberação ambiental. “As regras cubanas são muito rígidas… mas, em Cuba existe uma vontade política para empregar a tecnologia”, explica o pesquisador Carlos Borroto, chefe do Programa Cubano Nacional de Agricultura Biotecnológica.

O FR-Bt1, cujos detalhes técnicos não podem ser revelados devido a cláusulas de confidencialidade no processo de registro, destina-se à alimentação animal e será utilizado exclusivamente em Cuba. O milho GM cubano é projetado para resistir à principal praga do país,  a lepidóptera Spodoptera frugiperda.

O milho FR-Bt1 foi desenvolvido por uma grande equipe do CIGB, liderada por Camilo Ayra, em colaboração com outros órgãos de pesquisa. Todo o projeto foi financiado com recursos públicos vindos do Conselho de Estado Cubano. “Como o milho tem demonstrado um elevado nível de multiplicação, cerca de 2,5 acres de sementes poderiam produzir o suficiente para plantar 300 acres” diz Borroto.

Embora o uso de organismos geneticamente modificados seja debatido em Cuba, a percepção pública é majoritariamente positiva, já que essa evolução não visa ganhos comerciais, mas suficiência alimentar da nação. Os resultados dos testes de campo são esperados para abril de 2009.

Fonte: Agbioworld – 9 de fevereiro de 2009