Um grupo de pesquisadores conseguiu criar plantas que controlam os insetos-praga ao impedir a expressão de certos genes. Os cultivos, que se defenderiam das pragas por meio da estratégia conhecida como RNA de interferência (RANi), constituem uma nova alternativa à agricultura.

O método afeta genes específicos dos insetos-praga, por isso os pesquisadores crêem que estas plantas são seguras e que não afetariam outros insetos. Ainda que haja muitos experimentos a se fazer, os cientistas concordam que estes cultivos não trariam efeitos adversos a seres humanos e a outros animais.

A interferência pelo RNA ocorre naturalmente nos animais, desde lagartas até humanos. É um processo pelo qual moléculas de RNA de cadeia dupla impedem a tradução de certos genes em proteínas. As plantas transgênicas levam então seqüências de DNA que, ao serem transcritas, originam moléculas de RNA de cadeia dupla capazes de bloquear a expressão de determinado gene da praga. Ao ingerir o DNA da planta, o inseto praga morre por não ter as proteínas que necessita para seu desenvolvimento.

Os dois artigos foram publicados na revista Nature Biotechnology e mostram que, em certos insetos, a ingestão do RNA de cadeia dupla é suficiente para silenciar os genes de interesse. “Faz tempo que isso vem sendo demonstrado, mas até agora sem êxito”, declarou Karl Gordon, pesquisador em entomologia da Organização de Pesquisa Científica e Industrial do Commonwealth em Canberra, Austrália. Segundo ele, é a primeira vez que se demonstra que o silenciamento gênico poderia ser usado no controle de pragas.

Fonte: Technologyreview – 28 de novembro de 2007