Depois de cinco anos de pesquisas, os cientistas finalizaram o seqüenciamento do código genético da Gluconacetobacter diazotrophicus, uma das bactérias responsáveis pela fixação biológica de nitrogêncio da cana-de-açúcar. Com os genes decifrados, o potencial de geração de nitrogênio da bactéria poderá ser aumentado, estimulando o seu funcionamento como adubo natural.

Isto implicará uma redução de até 30% da quantidade de fertilizantes nitrogenados aplicados em toda área de cana-de-açúcar no Brasil. Uma economia que poderá chegar a R$ 59 milhões anuais somente nesta cultura. Além disso, a diminuição de adubos químicos trará benefícios ao meio ambiente.

Denominado Riogene, o projeto foi iniciado em 2001 e contou com a participação da Embrapa Agrobiologia, UFRJ, UERJ, UENF, UFRRJ, PUC-RIO e LNCC. Os recursos que apoiaram o projeto vieram da FAPERJ ( R$ 3.420.000,00) e do MCT/CNPq ( R$ 1.400.000,00).

A Gluconacetobacter diazotrophicus foi isolada pela primeira vez por pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (Seropédica), liderados pela Dra. Johanna Döbereiner, em 1988. Presente em culturas como a cana-de-açúcar, batata-doce, abacaxi e capim elefante, a bactéria é essencial para o crescimento destas espécies vegetais porque é uma das principais responsáveis pelo processo denominado “fixação biológica de nitrogênio” (FBN), em que o elemento é retirado da atmosfera e transferido para as plantas. A bactéria produz ainda hormônios vegetais e aumenta o sistema radicular (raízes), ampliando a absorção de nutrientes do solo.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agrobiologia José Ivo Baldani, a expectativa é de que dentro de cinco anos, tenhamos no mercado um inoculante para cana-de-açúcar feito com esta bactéria. Com o conhecimento do DNA da Gluconacetobacter, a idéia é torná-la ainda mais benéfica, através de alterações especificas no genoma. Essas bactérias, na forma de inoculante, seriam aplicadas nas mudas micropropagadas (mudas produzidas em laboratório onde se obtém plantas idênticas a “planta mãe”- clonadas) antes delas serem plantadas no solo.

Como a bactéria é totalmente dependente da planta para sobreviver, ela não se espalha para o meio ambiente, não havendo assim risco ambiental no processo.

Fonte: Embrapa – 02/01/2007