Uma das maiores ameaças aos elefantes da África é a caça. Isso porque o marfim, nome dado ao material que compõe os dentes desses animais, é muito valioso. Para obtê-lo, porém, é necessário matar os elefantes. Entretanto, parece que, daqui para frente, os caçadores terão dias mais difíceis graças à ciência. Por meio da análise do DNA do marfim apreendido na África, está sendo possível identificar as três maiores gangues de tráfico de animais selvagens que atuam na caça de elefantes.

DNA do marfim caça ilegal

Apreensão de marfim em Cingapura | Centro de Biologia da Conservação / Universidade de Washington

Embora o comércio internacional de marfim esteja proibido desde 1989, hoje ele se transformou em uma indústria ilegal multibilionária que mata até 40.000 elefantes por ano. Os contrabandistas, entretanto, são difíceis de deter. Quando são pegos, estão com apenas uma pequena quantidade de marfim e eles não delatam a rede de comércio ilegal que atua em todo continente africano.

Entretanto, por meio da análise do DNA do marfim, está sendo possível vincular os contrabandistas presos com as células criminosas em diferentes regiões da África. Funciona assim: toda vez que é feita uma apreensão, os cientistas fazem uma análise do DNA do marfim apreendido e a comparam com um grande banco de dados genético que contém informações sobre as populações de elefantes em todo continente. Dessa maneira, mesmo que um contrabantista tenha sido preso no Quênia, é possível descobrir que ele retirou o marfim de elefantes na África do Sul, por exemplo. Isso está sendo fundamental para rastrear as quadrilhas.

Uma equipe de cientistas liderada pelo Dr. Samuel Wasser, da Universidade de Washington, rastreou várias dessas apreensões para três cartéis operando no Quênia, Uganda e Togo. Essa informação foi divulgada em um artigo da Science Advances em setembro deste ano. “Ser capaz de vinculá-los a outros membros do tráfico poderia aumentar as penalidades que os criminosos enfrentam e ajudar as forças da lei a derrubar mais pessoas que unem essas operações”, diz o pesquisador Wasser.

DNA do marfim pode levar a conclusões ainda mais sofisticadas

Cada elefante possui duas presas de marfim, chamadas de parceiras. Quando um criminoso é preso, ele pode estar com apenas uma das presas do animal. Porém, por meio da análise do DNA do marfim, é possível identificar a presa parceira (caso a pessoa que estivesse com ela também tenha sido capturada).

Dessa maneira, a rede de comércio ilegal de marfim, que implica na caça, maus tratos e morte de milhares de elefantes, vai sendo aos poucos desbaratada. Utilizando métodos genéticos, com a obtenção do DNA de marfim, os cientistas conseguiram identificar pontos críticos em toda a África onde os caçadores ilegais estavam operando.


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Como o DNA do marfim ajudou a identificar o crime contra elefantes na África?

A equipe de Wasser já examinou o DNA do marfim de 38 grandes remessas apreendidas e encontrou presas geneticamente idênticas. Entre 11 das apreensões, todas feitas de dezembro de 2011 a maio de 2014, a equipe encontrou várias conexões. Por exemplo, dois embarques contendo presas geneticamente equivalentes foram apreendidas do mesmo porto em um curto espaço de tempo um do outro. Algumas remessas continham correspondências genéticas para várias outras.

“Encontrar conexões entre grandes apreensões significa que os policiais podem vincular indivíduos a grandes redes de atividades criminosas e condená-los de acordo”, comentam os cientistas. Com a ajuda de ferramentas genéticas, consegue-se identificar, desmantelar e interromper organizações criminosas transnacionais por trás desse comércio ilegal.


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Fonte: Science Advances, Redação CIB, outubro de 2018