Em rápida passagem por São Paulo, um grupo de produtores rurais franceses que está no Brasil para conhecer a nossa agricultura demonstrou preocupação em relação ao embargo imposto pelo governo da França ao milho geneticamente modificado (GM). Contudo, os agricultores não acreditam que a decisão tomada no último dia 9 tenha vida longa. “Trata-se de uma medida unicamente política, que deve afetar apenas a safra 2008”, afirmou ao Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) o agricultor Claude Menara, membro do Programa de Acompanhamento de Culturas em Biotecnologia (PACB), desenvolvido pela Associação dos Produtores de Milho e Sorgo da França.

Segundo ele, a decisão do governo francês deve-se em grande parte aos interesses relacionados às eleições municipais, que ocorrem dentro de quatro semanas. “Embora o governo tente jogar dúvidas sobre a segurança do milho transgênico, não consegue encontrar uma novidade técnico-científica que justifique o embargo”, explica Menara. Para o produtor, isso mostra que a moratória ao milho transgênico não conseguirá se sustentar por muito tempo.

Além de não haver fatos novos que comprometam a segurança do milho geneticamente modificado (GM), Menara acredita que os benefícios da semente transgênica já são incontestáveis na França e tornarão o embargo inviável. “Em 10 anos, o crescimento da rentabilidade da lavoura transgênica é de 12% a 15% quando comparada à da convencional, porque o milho GM rende até 1,5 tonelada a mais por hectare”, ressalta. Para se ter uma idéia de quanto isso representa, a produtividade média do milho no Brasil é hoje de cerca de 3,6 toneladas por hectare.

“Há também outras vantagens que ainda não foram mensuradas, como o impacto reduzido para o meio ambiente e a qualidade do milho transgênico, que possui até 90% menos micotoxinas (substâncias tóxicas ao homem)”, conclui Menara.