Estudos recentes mostram que, além de rica em potássio, a fruta acentua a importância do mineral para a função muscular adequada, inclusive do coração, e, por isso, vem sendo indicada por especialistas para compor a dieta habitual dos adultos e idosos. Uma banana média, de 115g, fornece um terço das necessidades diárias recomendadas de potássio. É também fonte de vitaminas B6 e C, além de fibra solúvel, que ajuda a diminuir o nível de colesterol no sangue.

Esses motivos já seriam mais do que suficientes para fazer da banana um alimento constante na mesa dos brasileiros. Mas a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Embrapa Hortaliças e Embrapa Agroindústria de Alimentos, estão unindo esforços para melhorar ainda mais o valor nutricional dessa fruta, com a caracterização dos recursos genéticos de banana e o desenvolvimento de pesquisas genômicas e de engenharia genética que visam aumentar o teor de carotenóides na banana nanica, que é a variedade mais consumida em todo o mundo. Os carotenóides são moléculas precursoras de vitamina A no organismo humano, fundamental para a saúde, especialmente no que se refere à visão, e cuja falta pode levar à cegueira.

Os carotenóides, que incluem várias substâncias benéficas à saúde humana, entre as quais se destacam o alfa e beta caroteno, exercem uma função muito importante na planta, como receptores de luz, além de terem propriedades anti-oxidantes.

“Alguns alimentos, como cenoura e brócolis, entre outros, são reconhecidamente ricos em carotenóides, mas a banana não era até então uma fruta vista como fonte de vitamina A”, explicam as pesquisadoras da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Damares de Castro Monte e Elionor de Almeida. “Por isso, tivemos a idéia de desenvolver pesquisas de engenharia genética com a banana nanica, de forma a aumentar o seu teor de vitamina A”, afirmam as pesquisadoras.

Essa pesquisa está sendo desenvolvida no momento com a transferência de um gene do tomate (rico em carotenóides) para a banana. “Já clonamos alguns genes da rota nutricional do tomate e da banana e, no momento, estamos na fase de transformação genética das plantas de banana”, afirmam as pesquisadoras.

Uma etapa importante da pesquisa se baseia na coleta e caracterização genética de variedades nativas de banana em várias regiões do Brasil. São bananas de casca amarela, laranja, roxa que, normalmente, não são bem aceitas comercialmente e, por isso, são cultivadas em “fundos de quintal”, como explicam as pesquisadoras.

Segundo elas, os carotenóides são coloridos. O alfa-caroteno é alaranjado e o beta-caroteno é bem laranja e, por isso, o primeiro passo foi identificar variedades de banana com as polpas alaranjadas. Os estudos de caracterização genética desenvolvidos até o momento permitiram observar que a banana da terra, por exemplo, tem cerca de 20 vezes mais carotenóides do que a banana prata, por exemplo.

“Algumas bananas nativas podem ter níveis tão altos de carotenóides que chegam a ser próximos aos encontrados na cenoura”, informam as pesquisadoras, lembrando que algumas variedades contêm ainda um carotenóide amarelo denominado luteína, que protege a mácula ocular, melhorando a foto sensibilidade e prevenindo a catarata. A banana de São Tomé, por exemplo, que tem a casca vermelha, e é riquíssima em carotenóides, é produzida no Distrito Federal apenas por um pequeno agricultor da cidade de Brazlândia.

“Essa variedade, como outras que encontramos apenas em pequenos cultivos de fundo de quintal e que, na maioria das vezes, não são sequer utilizadas como alimentos, poderiam representar um excelente nicho de mercado para os pequenos produtores”, ressaltam Damares e Elionor.

A banana é cultivada em mais de 80 países tropicais e é o quarto alimento mais consumido em todo o mundo.

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial e a banana é a segunda fruta mais consumida no país (cerca de quatro milhões de toneladas por ano). A produção brasileira foi estimada pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) em 5,92 milhões de toneladas, em uma área total de aproximadamente 528 mil hectares.

Fonte: Embrapa – 14 de janeiro de 2007