A empresa brasileira Recepta Biopharma firmou um acordo com a norte-americana Mersana Therapeutics para licenciar a produção de um anticorpo monoclonal, realizada por meio da biotecnologia, que poderá ser usado em terapias contra o câncer. Capazes de se ligar de maneira singular a alvos tumorais, os anticorpos monoclonais (mAbs, na sigla em inglês) são proteínas produzidas em laboratório por um único clone de linfócitos B – um tipo de célula de defesa.

De acordo com Jose Fernando Perez, presidente da Recepta e ex-diretor científico da FAPESP, “a Mersana detém a tecnologia para criar o chamado ADC (antibody-drug conjugate). Ou seja, eles usam um tipo de ligante para unir o anticorpo a uma toxina. Esse imunoconjugado entrega de maneira muito específica a toxina às células tumorais”.

Conforme os termos firmados, a Recepta oferecerá à Mersana os direitos mundiais exclusivos sobre seu anticorpo monoclonal e a empresa norte-americana usará sua tecnologia conhecida como Fleximer para desenvolver um imunoconjugado contra alvos tumorais. A Mersana será responsável ainda pela realização de ensaios clínicos e dos registros regulatórios necessários para a comercialização da droga.

Imagem de pílula“Esse é um evento único. Nunca na história da pesquisa em biotecnologia de fármacos no Brasil houve um licenciamento internacional de uma propriedade intelectual desenvolvida por empresa brasileira. Isso mostra que o modelo de pesquisa e desenvolvimento da Recepta funciona”, comemorou Perez. Os anticorpos foram desenvolvidos e testados clinicamente pela Recepta, com apoio da FAPESP.

Fonte: Agência FAPESP