A produção de proteínas humanas a partir de processos biotecnológicos vem sendo amplamente usado em várias áreas da ciência. Diferentes espécies de animais têm sido utilizadas como o que se denomina de “biofábricas” para a produção de proteínas recombinantes humanas.

A síntese desses tipos de proteínas a partir de processos biotecnológicos faz parte das pesquisas que o Departamento de Defesa do governo americano está patrocinando junto à empresa PharmAthene. A PharmAthene utilizou cabras geneticamente modificadas para produzir a proteína humana butirilcolinesterase (BChE) que poderá ser utilizada na profilaxia ou tratamento de pessoas expostas a gases neurotóxicos como o sarin e o VX. Os resultados dessa pesquisa foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Para produzir a enzima butirilcolinesterase os pesquisadores introduziram em uma molécula seqüências de DNA para produção dessa enzima (BChE cDNA). Essa molécula (vetora) foi introduzida em embriões de cabras e ratos gerando animais geneticamente modificados para a produção dessa enzima no leite. O leite produzido por esses animais transgênicos contém uma quantidade que varia de 0,1 – 5g/l do rBChE (butirilcolinesterase recombinante) ativo. Posteriormente, a enzima foi isolada do leite dos animais e reintroduzida em porcos-da-guiné, para testar se a enzima se manteve ativa na circulação sangüínea, fato que foi confirmado pelos pesquisadores.

Ao exporem os animais a agentes neurotóxicos os cientistas constataram que, nos ratos transgênicos, o rBChE foi inibido por esses agentes, já as cabras transgênicas produziram o rBChE ativo e em quantidade suficiente para ser utilizado em seres humanos expostos aos agentes nocivos.

De acordo com o co-autor do artigo, Solomon Langermann, o processo de obtenção da enzima é bastante difícil e em todas as tentativas com diferentes espécies foram produzidos alguns miligramas, no entanto, em experiências com cabras as quantidades obtidas são de 2 a 3g/l. O nome comercial do antídoto é Protexia, sendo considerado mais eficiente que os já utilizados Atropina e 2-PAM.

A produção dessa enzima em grande quantidade e que produzindo bons resultados no organismo humano, pode ser muito útil em casos de intoxicações pelos gases nervos, porém não há previsão de comercialização do produto, pois ainda tem que passar por testes de segurança e aprovação do governo americano.

Substâncias tóxicas

Algumas substâncias são utilizadas tóxicas são utilizadas na composição de pesticidas para o combate a pragas de lavouras, entretanto, algumas delas são usadas para produzir armas químicas. Algumas dessas armas químicas como o Sarin e o VX, são compostos conhecidos como gases de nervos e quimicamente pertencem ao do grupo dos organofosforados. Os gases organofosforados também conhecidos como agentes nervo ou da anticolinesterase surgiram na década de trinta para uso em pesticidas, mas começaram a ser utilizados na Segunda Guerra Mundial como arma química.

Sua ação tóxica se dá pela ligação e inativação da acetilcolinesterase, enzima importante na função nervosa. Conseqüentemente, a quantidade dessa enzima no corpo aumenta onde ocorre a junção do nervo e seu órgão alvo, dando início à “crise colinérgica”, que pode causar vômitos, sudorese, problemas respiratórios, fraqueza e espasmos musculares entre outros.

Fonte: Biotec AHG – 2 de agosto de 2007