O Departamento de Ciências Biológicas da Esalq desenvolveu um tomateiro que possui apenas oito centímetros de altura, ciclo de vida de 70 dias e pode ser manipulado in vitro. Chamada de Micro-MsK, a variedade foi obtida a partir do cruzamento de um tomateiro selvagem do Peru, o Lycopersicon peruvianum com o Micro-Tom, tomateiro ornamental produzido na Flórida, EUA.

Segundo o professor Lázaro Eustáquio Pereira Peres, a espécie selvagem proporcionou ao Micro-MsK a capacidade de ser clonado facilmente, o que permitirá diversos tipos de estudos que podem ser usados, em breve, para desvendar seqüências do genoma da planta. As pesquisas com o Micro-MsK serão fundamentais, de acordo com o pesquisador, para os trabalhos de tagging – etiquetagem de genes – e podem auxiliar um consórcio norte-americano que tem por objetivo a conclusão do genoma do tomate.

“O tagging é uma ferramenta de genoma funcional, ou seja, muitas proposições poderão ser testadas na própria planta. Poderemos produzir, facilmente, mais de 100 mil exemplares com diferentes características genéticas. É um caminho inverso nos estudos do genoma”, diz Peres. Segundo o professor, trata-se de um estudo inédito no Brasil.

Algumas sementes do Micro-MsK já foram encaminhadas aos EUA, atendendo a pedidos de pesquisadores que tiveram acesso ao trabalho de Peres, recentemente publicado. “Recebemos solicitações inclusive da Coréia”, diz o professor.

Os microtomateiros poderão ser usados, inclusive, em experiências para transferir características positivas para genótipos comerciais.

FONTE: Agência USP de Notícias