Um grupo de pesquisadores do departamento de Genética da ESALQ/USP, em conjunto com o de Fitopatologia e Entomologia Agrícola, está desenvolvendo pesquisas com a Passiflora edulis, conhecida como maracujá amarelo ou azedo. Essa planta é produzida no Brasil tanto para comercialização da fruta in natura quanto para a indústria de sucos, que ocupa o segundo lugar em exportações, atrás apenas do suco de laranja.

Sob coordenação da Professora Maria Lúcia Carneiro Vieira, o projeto visa ao desenvolvimento de variedades geneticamente modificadas (GMs) resistentes a duas doenças que prejudicam a plantação e podem até destruí-la. Uma delas é o endurecimento do fruto, causada por um vírus e transmitida pelo inseto conhecido como pulgão. “A variedade GM funciona como uma vacina: inserimos um determinado gene, isolado do próprio vírus, no maracujá. No momento em que a planta for atacada, ela estará imune e ainda vai impedir a propagação da doença”, explica Maria Lúcia. A outra patologia é a mancha oleosa dos frutos, causada pela bactéria Xanthomonas, que é transmitida pelo vento ou por ferimentos na planta e pode destruir todo o cultivo. Segundo a pesquisadora – que fez pós-doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas –, essa variedade transgênica é caracterizada pela inserção, no maracujá, de um gene isolado a partir de uma espécie de mariposa.

“O maracujá GM pode ser bastante importante principalmente para o Estado de São Paulo e a região sudeste, que perdeu para o Pará e para a Bahia a liderança em exportações em função das doenças e da instabilidade na produção”, afirma Maria Lúcia.

Os principais compradores de suco concentrado são a União Européia e o Canadá.

Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas com a coordenadora das pesquisas pelo e-mail mlcvieir@esalq.usp.br