Pesquisadores da ESALQ/USP, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Embrapa e a empresa Syngenta realizaram em parceria um estudo sobre impacto dos cultivos de milho GM em organismos não-alvo. Embora ainda não haja cultivos comerciais de milho geneticamente modificado no Brasil, o estudo serve como referência, indicando os efeitos que podem ser esperados de híbridos de milho Bt sobre inimigos naturais e artrópodes de solo (insetos, aracnídeos) antes da liberação aos produtores no país.

Os ensaios, autorizados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão responsável pelas aprovações de organismos geneticamente modificados (OGMs) no Brasil, foram conduzidos durante uma safra em Borborema (SP) e Uberlândia (MG). Os híbridos de milho modificado geneticamente 7590-Bt11 e Avant-ICP4 foram comparados com seus respectivos isogênicos não transgênicos.

Por meio da observação direta dos artrópodes nas plantas e captura com armadilhas de alçapão, os pesquisadores constataram que não há diferenças entre as populações de tesourinha, joaninhas, percevejo-pirata, carabídeos, cicindelídeos e aranhas. Também não houve diferença no parasitismo de ovos da lagarta-da-espiga-do-milho (Helicoverpa zea) por Trichogramma SP, uma vespinha que parasita os ovos de várias espécies de insetos e que é usada para controle biológico.

Com base nos resultados os pesquisadores são enfáticos em afirmar que o milho geneticamente modificado expressando as proteínas inseticidas Cry1A(b) e VIP 3A não causa redução nas populações dos principais predadores e parasitóides.
O artigo completo foi publicado na revista Scientia Agrícola de maio/junho de 2007.
FONTE: SCIELO – Maio/Junho de 2007
SHORT-TERM ASSESSMENT OF Bt MAIZE ON NON-TARGET ARTHROPODS IN BRAZIL Sci. Agric. (Piracicaba, Braz.), v.64, n.3, p.249-255, May/June 2007