Publicado em julho deste ano pelo Department for Environment, Food and Rural Affairs (DEFRA), o relatório do estudo britânico sobre canola tolerante a herbicida e a possibilidade de transferência dessa característica para outras plantas (via fluxo de genes) apontou que, de um total de 95459 plântulas de parentes silvestres da canola encontrados e testados, apenas 2 plantas de Brassica rapa mostraram resistência ao herbicida glufosinato.

Embora o estudo tenha identificado a possibilidade de cruzamento entre a canola e a planta Sinapsis arvensis (mostarda), os revisores dizem que esse resultado precisa ser interpretado com cautela. Segundo eles, a freqüência desse cruzamento é extremamente baixa, reforçada pelo fato de nunca ter sido detectada em várias avaliações prévias.

De acordo com dois autores citados no relatório, Hails & Morley, as conseqüências da transferência da tolerância a herbicida, em termos da persistência das plantas resultantes do cruzamento e de suas vantagens, não foram avaliadas no estudo, mas são presumivelmente negligenciáveis. Além disso, vários campos experimentais no primeiro e no segundo ano após o cultivo da canola tolerante ao herbicida glufosinato foram examinados, não sendo verificada a ocorrência de plantas voluntárias. A transferência da resistência a herbicida para parentes silvestres não é um problema considerável, especialmente por não conferir qualquer vantagem seletiva para essas plantas na ausência da aplicação do herbicida.

Ainda segundo o relatório, as conseqüências da transferência de característica de tolerância a herbicidas para plantas silvestres precisam ser avaliadas num contexto de possíveis vantagens competitivas. Até o momento, não se sabe se há “custos” (no sentido evolutivo) envolvidos com a manutenção da característica pelas plantas silvestres, ou se há alguma vantagem adaptativa na ausência de aplicação do herbicida adequado. De acordo com pesquisadores referidos no relatório, Snow e colaboradores, vantagens adaptativas de híbridos derivados do cruzamento entre espécies selvagens e cultivadas num estudo específico foram reduzidas por conta de florescimentos atrasados, redução na viabilidade de pólen e redução na produção de sementes. O documento conclui que as conseqüências da transferência de genes devem ser avaliadas mais criteriosamente do que sua simples ocorrência.

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