Levantamento recente conduzido pelo pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Maria da Silveira, aponta uma contribuição média de R$20 de ganho líquido por hectare para as lavouras de soja, proporcionados pela adoção de sementes transgênicas. A pesquisa foi realizada com base em dados de 2006 e 2007, levantados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), comparando lavouras geneticamente modificadas (GM) e convencionais.

Foram 14 os municípios contemplados na pesquisa, que pertencem aos Estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, cujas taxas de adoção da semente transgênica variaram entre 40% e 90% no período.

De acordo com Silveira, os resultados apontados pelo estudo são conservadores, uma vez que a adoção da soja GM nas regiões pesquisadas é inferior à de outros importantes Estados agrícolas não analisados. “Se considerássemos municípios do Rio Grande do Sul, por exemplo, onde o uso da tecnologia se aproxima a 100%, esse ganho médio provavelmente seria maior”, explica. “Na nossa amostra, o Mato Grosso puxou a rentabilidade média para baixo, por ter uma taxa de adoção tímida devido ao uso de variedades ainda não tão bem adaptadas”, complementa.

Apesar de o estudo não contemplar todas as regiões produtoras de soja do País, o pesquisador da Unicamp sugere que, considerada toda a área plantada com o grão GM, a contribuição da tecnologia para a agricultura brasileira tem superado US$ 400 milhões ao ano. “Esses ganhos estão diretamente ligados à redução dos custos de produção, como o menor uso de herbicida, água e diesel, utilizado nas pulverizações”, afirma.

Atendendo ao convite do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Silveira esteve em Cascavel, entre 09 e 13 de fevereiro, durante o 21º Show Rural, para apresentar os resultados do estudo e falar sobre os benefícios oferecidos pela biotecnologia a agricultores do Brasil e do mundo.

Fonte: CIB