Mais de 9,3 milhões, ou 90% dos agricultores que cultivaram plantações GM no ano passado, são pequenos produtores de países em desenvolvimento, o que representa impacto socioeconômico e ambiental significativo nas regiões onde a biotecnologia foi aplicada.

De acordo com o estudo do ISAAA, intitulado “Situação mundial da comercialização de grãos geneticamente modificados em 2006”, os principais destaques são os seguintes:

  • Pequenos agricultores – Mais de 9,3 milhões ou 90% dos agricultores que cultivaram plantações GM no ano passado são pequenos produtores de países em desenvolvimento, o que representa impacto socioeconômico e ambiental*** significativo nas regiões onde a biotecnologia foi aplicada. Isso porque, segundo Clive James, presidente do ISAAA, as plantas geneticamente modificadas ajudaram o agricultor a reduzir custos de produção e a diminuir o número de aplicações de defensivos agrícolas nas lavouras.

  • Primeira década dos transgênicos – O crescimento no período de 1996 a 2006 é equivalente a um aumento sem precedentes de 60 vezes, o maior índice de adoção de qualquer tecnologia na agricultura registrado até hoje.
  • Dados 2006

    – a área global de plantações transgênicas cresceu 12 milhões de hectares ou 13%, atingindo 102 milhões de hectares.

    – a quantidade de agricultores que adotaram as variedades GMs chegou a 10,3 milhões, contra 8,5 milhões em 2005.

    – 51 países, de alguma forma, adotaram as variedades GMs: 22 países cultivaram plantações transgênicas no ano passado, enquanto outros 29 aprovaram a importação de variedades GMs para consumo humano ou animal.
  • Aumento da aceitação – “Mais da metade da população global, de 6,5 bilhões de pessoas, vive hoje em países onde são cultivadas plantações GMs, permitindo que 3,6 bilhões de pessoas se beneficiem das vantagens econômicas, sociais e ambientais geradas por meio da biotecnologia”, declarou James. “Com 51 países no total ganhando experiência com a tecnologia, a aceitação vai continuar a crescer”.
  • Adoção em países em desenvolvimento – O relatório indicou que o crescimento da adoção das plantações GMs foi substancialmente maior nos países em desenvolvimento, atingindo 21%, contra o crescimento da adoção, de 9%, nas nações industrializadas. Os países em desenvolvimento são, agora, responsáveis por 40% da área de plantação GMs global.
  • Resistência à seca – Espera-se que as plantações GMs com características de resistência à seca cheguem ao mercado dentro dos próximos cinco anos, favorecendo a agricultura e o desenvolvimento de regiões mais pobres do globo nas quais o clima é mais seco. Pesquisas nesse sentido estão em andamento no mundo inteiro, inclusive no Brasil.
  • Principais centros de crescimento

    Américas: Os Estados Unidos continuam a direcionar o crescimento na América do Norte e em todo o mundo, sendo responsáveis pelo maior aumento absoluto em tamanho de área em acres em 2006 com a adição de 4,8 milhões de hectares. O Brasil lidera o crescimento na América do Sul com um aumento de 22%, totalizando 11,5 milhões de hectares de soja e algodão GM, este comercializado pela primeira vez em 2006.

    Ásia: A Índia está emergindo como o principal líder na Ásia. O país registrou o aumento percentual mais substancial em 2006: 192% ou 2,5 milhões de hectares, totalizando 3,8 milhões de hectares. Tal fato representa um salto de duas colocações na classificação mundial, o que confere à Índia o quinto lugar na produção mundial de plantas GM, ultrapassando a China pela primeira vez.

    África: A África do Sul teve avanços significativos no ano passado liderando o avanço do continente africano ao, praticamente, triplicar sua área de plantação de variedades GMs. Notadamente, o ganho veio do milho branco Bt, usado primariamente para alimento, e do milho amarelo Bt, usado para ração de animais.

    Europa: O crescimento também continua em países da União Européia, onde a Eslováquia se tornou o sexto país da União Européia, dentre os 25, a cultivar plantações GMs. A Espanha continua a liderar o continente, cultivando cerca de 60 mil hectares em 2006. No entanto, outros cinco países da União Européia divulgaram um aumento de cinco vezes nas plantações, de 1.500 hectares em 2005 para cerca de 8.500 hectares em 2006.

O ISAAA é uma organização sem fins lucrativos com uma rede internacional de centros de pesquisa voltada para difundir conhecimento e aplicações de plantações GMs. O relatório é co-patrocinado pela Fundação Rockefeller, organização filantrópica baseada nos EUA, associada com a Revolução Verde, que salvou mais de um bilhão de vidas na década de 60, e com o Ibercaja, um dos maiores bancos espanhóis com sede na região de crescimento de milho da Espanha.

*** No recente estudo “Impactos Globais das Lavouras GM: Efeitos Socioeconômicos e Ambientais nos Primeiros Dez Anos de Uso Comercial”, os economistas ingleses Graham Brookes e Peter Barfoot apontam que o plantio de transgênicos é benéfico tanto do ponto de vista socioeconômico como ambiental. Esta pesquisa concluiu que, desde 1996, o volume de utilização de defensivos agrícolas foi reduzido em 15,3%, ou seja, 224 mil toneladas a menos na emissão direta no ambiente. http://www.agbioforum.org/v9n3/v9n3a02-brookes.htm

Para conferir o resumo executivo do estudo do ISAAA, clique aqui.