Cientistas da Universidade de Michigan e do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia da Argentina usaram a biotecnologia para comprovar que há relação entre o tempo em que um indivíduo permanece acima do peso e a dificuldade para emagrecer.  Para tanto, os pesquisadores desenvolveram ratos geneticamente modificados (GM) nos quais o gene responsável pela saciedade foi “desligado”. A modificação genética, entretanto, é reversível neste caso.

De acordo com o estudo, publicado na revista Journal of Clinical Investigation, os ratos transgênicos alimentados com uma quantidade restrita de calorias, desde o nascimento, mantiveram seu peso dentro da faixa normal. Os roedores GM alimentados com uma quantidade excessiva de comida, durante o mesmo período, se tornaram obesos. Neste segundo grupo, mesmo quando o gene da saciedade foi religado, os animais não conseguiram mais voltar ao peso ideal, ainda que submetidos à dieta e à prática regular de exercícios. De acordo com os autores da pesquisa, o organismo dos animais gordos estabeleceu o peso acima do usual como padrão. “Mesmo perdendo peso em regime, o próprio organismo promove o ganho de peso”, relatam os autores.

Os resultados demonstram que a obesidade é uma doença autoperpétua que precisa ser tratada desde a tenra infância. O excesso de peso é uma desordem metabólica que afeta cerca de 500 milhões de adultos e cerca de 43 milhões de crianças abaixo dos 5 anos em todo o mundo. O sobrepeso predispõe os indivíduos a diversas doenças, a exemplo de diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e até alguns tipos de câncer. As causas da desordem são complexas e envolvem aspectos comportamentais, sociais e genéticos.

Fonte: Journal of Clinical Investigation, 1º de Novembro de 2012