Por Alda Lerayer

alda-luiza-santos-lerayer-_320x200O ano de 2010 foi muito positivo para a Biotecnologia, principalmente no que diz respeito aos organismos geneticamente modificados (GM), cujas aprovações comerciais tiveram próspero andamento durante o período. Desde fevereiro, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) está sob o comando do geneticista Edilson Paiva, que deverá permanecer no cargo até 2012.

Da gestão anterior, Paiva herdou os processos em estágios avançados de avaliação pelos membros. Sua principal missão é manter o ritmo das avaliações de organismos GM dentro dos prazos estabelecidos pela Lei de Biossegurança, e conservar o diálogo dentro da comissão, composta por 27 autoridades em biotecnologia.

Foram oito liberações de cultivos comerciais para soja, milho e algodão em 2010, além de outras 3 referentes a vacinas e 1 levedura. Com essas aprovações, O Brasil já tem à disposição 27 eventos agronômicos liberados. O destaque é para esta levedura modificada para produção de óleo diesel a partir da cana-de-açúcar.

Quanto à soja, foram aprovados dois eventos tolerantes ao herbicida glufosinato de amônio e um resistente a insetos e tolerante ao glifosato. Para o milho, as novidades são quatro eventos resistentes a insetos e a diferentes tipos de herbicidas. Já para o algodão, o mais recente evento aprovado é resistente ao glifosato.

Para 2011, a expectativa é de que haja mais aprovações relacionadas de eventos de milho e de algodão, e possivelmente também do feijão transgênico. Neste caso, a variedade será resistente ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro, que é o pior inimigo dessa cultura agrícola na América do Sul. No Brasil, a doença está presente em todas as regiões e, se atingir a plantação ainda na fase inicial, pode causar perdas de até 100% da produção. O resultado é inédito para a biotecnologia mundial, pois trata-se do desenvolvimento das primeiras plantas transgênicas totalmente produzidas por instituições públicas de pesquisa, no caso a Embrapa Recursos Genéticos, em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão.

Contribuições para o campo e o meio ambiente

De acordo com o relatório ISAAA, divulgado em fevereiro, o Brasil plantou 21,4 milhões de hectares com culturas geneticamente modificadas e se tornou o segundo maior produtor de transgênicos do mundo -atrás apenas dos Estados Unidos, deixando a Argentina em terceiro lugar, em um universo de 25 países produtores.

O número representa um crescimento de 35,4% em relação a 2008, justificado especialmente pela rápida adoção do milho GM.

Ao todo, 25 países plantaram 134 milhões de hectares, o que corresponde a 9 milhões de hectares a mais do que em 2008. Foram 14 milhões de grandes e pequenos agricultores no mundo que adotaram cultivos transgênicos em suas lavouras. Ainda de acordo com o ISAAA, os oito principais países no ranking de maiores produtores foram: Estados Unidos (64 milhões ha.), Brasil (21,4 milhões ha.), Argentina (21,3 milhões ha.), Índia (8,4 milhões ha.), Canadá (8,2 milhões ha.), China (3,7 milhões ha.), Paraguai (2,2 milhões ha.) e África do Sul (2,1 milhões ha.).

Diversas plantas geneticamente melhoradas estão disponíveis no mundo para o cultivo na Europa, mas apenas duas culturas transgênicas podem ser cultivadas comercialmente. A primeira é um milho resistente a insetos e a segunda é a batata com um maior teor de amilopectina, aprovada neste ano.

Na Europa, a área plantada deste único milho transgênico alcançou 94.750 hectares em 2009. Os principais países de cultivo são: Espanha, República Checa, Romênia e Portugal. Além destes, a Eslováquia e a Polônia também estão cultivando o milho resistente a insetos. Hoje, a batata transgênica é plantada na Alemanha, República Checa e Suécia.

Além das vantagens comerciais, um estudo realizado pela Consultoria Céleres apontou que a adoção da biotecnologia no Brasil contribuiu com a redução de 12,6 bilhões de litros de água na agricultura, o que significaria abastecer uma população de 287,2 mil pessoas no período de 1996/97 a 2008/09.

Além disso, foram economizados 104,8 milhões de litros de óleo diesel e houve uma redução na emissão de 270,4 mil toneladas de CO2, decorrente da queima do óleo diesel utilizado no maquinário agrícola, o que representaria a preservação de 2 milhões de árvores de floresta ripária.

Alda Lerayer – Engenheira Agrônoma, Ph.D. em Genética e Melhoramento de Plantas e Microrganismos e Consultora do CIB.