Neuza Maria Brunoro Costa

A biotecnologia é uma importante ferramenta a ser utilizada para aumentar o teor de ácido linoléico conjugado (CLA) nos alimentos, inclusive os de origem vegetal, aumentando os benefícios à saúde do consumidor. O CLA é produzido no rúmen dos animais pela bactéria Butyrovibrio fibrisolvens, a partir do ácido linoléico – principal componente do óleo de soja e de outros óleos vegetais – e não pode ser produzido no organismo humano, sendo necessário ser obtido, portanto, por meio da dieta alimentar. Ele é encontrado em produtos lácteos e em carnes de animais ruminantes.

O CLA tem sido associado a diversos efeitos benéficos, como a prevenção de câncer, melhoria da resposta imune, redução de peso corporal, aumento da massa muscular, redução de colesterol e da glicose sanguíneos. Em outras palavras, o CLA tem ação anticarcinogênica, antiaterogênica, antidiabética e antiobesidade.

Seu efeito na redução da gordura corporal tem sido demonstrado em animais experimentais. Em humanos, porém, os resultados são ainda controversos, possivelmente devido à quantidade e ao tipo de CLA consumido. A quantidade fornecida aos animais, em geral, é muito alta, equivalente ao consumo de 16g de CLA por dia para um homem de 70kg, ou seja, cerca de 2 kg de manteiga por dia. Quanto ao tipo, a forma predominante nas carnes e no leite tem maior ação anticarcinogênica e pouco efeito na redução da gordura corporal.

Além disso, o CLA parece aumentar a taxa de oxidação (quebra) das gorduras, diminuindo a sua deposição no tecido adiposo. Os efeitos do CLA são observados enquanto dura o seu consumo, de modo que é provável que o indivíduo retorne à sua composição corporal, ou seja, ganhe gordura corporal quando interrompe o consumo de substância.

É difícil obter a quantidade necessária de CLA pela alimentação na sua forma natural, especialmente para vegetarianos e indivíduos que consomem dietas reduzidas em gordura, do tipo “low-fat”. É nesse momento que a biotecnologia pode ser utilizada com resultados bastante promissores, sendo utilizada como ferramenta para conferir aos alimentos maior teor da substância.

Neuza Maria Brunoro Costa – PhD, professora do Departamento de Nutrição e Saúde – UFV, Viçosa, MG