Por Adriana Brondani*

adriana_320x200Em 2013, de acordo com as previsões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil vai colher o recorde 185 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas. Somente as culturas da soja, do milho e do algodão, somadas, poderão representar 87% do total produzido, ou aproximadamente 162 milhões de toneladas. Não por acaso, essas três culturas também são aquelas que contam com a inovação da biotecnologia.

O Rio Grande do Sul identificou precocemente – há mais de 13 anos – o potencial e os benefícios das plantas geneticamente modificadas (GM), tendo sido um dos primeiros estados a adotar esta tecnologia. Hoje, segundo dados do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia  (ISAAA), o País já planta 36,6 milhões de hectares de sementes transgênicas de soja, milho e algodão e o Estado continua a ser um player importante. O Rio Grande do Sul tem a maior taxa de adoção de soja GM do Brasil (99%) e a biotecnologia já está presente em 85% da área plantada com milho. Além disso, o Estado é o terceiro em área cultivada com transgênicos (5,3 milhões de hectares), atrás apenas do Mato Grosso e do Paraná.

Segundo levantamento histórico feito pela Conab, é possível observar que da safra de 1998/99 – primeira safra com transgênicos do Brasil – para a estimativa da safra de 2012/13, há um incremento de 45% na produtividade da agricultura gaúcha de grãos e oleaginosas. Considerando as elevadas taxas de adoção de sementes GM de soja e milho no Estado e a representatividade destas variedades na agricultura, é possível concluir que a biotecnologia foi essencial para o ganho de produtividade no Rio Grande do Sul.

A contribuição da transgenia para o bom desempenho da agricultura brasileira não teria acontecido caso o País não contasse com um marco regulatório consolidado. Desde 2005, a lei de Biossegurança (11.105/05) estabelece de forma clara que compete à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a análise de organismos geneticamente modificados (OGM) sob o aspecto de saúde humana, vegetal e ambiental. O constante e criterioso trabalho da comissão permite que o País seja, hoje, o vice-líder global na adoção da biotecnologia agrícola e tenha 36 eventos agronômicos para consumo e plantio. Além de algodão, milho e soja, há também o feijão transgênico resistente ao vírus do mosaico dourado, único produto GM do mundo desenvolvido inteiramente por uma instituição pública de pesquisa, a Embrapa.

Para exercer o papel de provedor global de gêneros agrícolas de maneira sustentável, o Brasil deve aprofundar o diálogo entre todos os elementos da cadeia, dos centros de pesquisa ao campo, da fazenda à indústria, passando pelo judiciário, governo federal e pelas entidades que representam o setor e a sociedade civil. Afinal, essa sinergia revela um País atento não só aos aspectos científicos e econômicos, mas também aos ambientais, sociais, humanos e éticos.

*Adriana Brondani é doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diretora-executiva e porta-voz do Conselho de Informações sobre Biotecnologia.