“Na Europa, aparentemente ninguém quer ouvir se você tem boas notícias sobre organismos geneticamente modificados (OGMs)”. A frase é do editorial da última edição da revista Nature Biotechnology, de dezembro de 2007. Sob o título “Uma outra verdade inconveniente”, a revista científica critica dois recentes acontecimentos que mostram a postura de certos países europeus em relação aos transgênicos.

Primeiramente, a publicação cita o embargo ao milho transgênico imposto no último mês de outubro na França, pelo presidente Nicolas Sarkozy. “A interpretação do movimento é que os OGMs são o cordeiro sacrificado para permitir que Sarkozy demonstre aos lobbies ‘verdes’ que ele não é incondicionalmente a favor de soluções tecnológicas na arena ambiental”, opina a Nature.

Em seguida, o editorial se debruça sobre uma pesquisa realizada na Itália pelo Instituto Nacional de Pesquisa para Alimentação e Nutrição (INRAN, em italiano), que comprovou que o milho Bt (transgênico) possui uma produtividade até 43% maior que variedades convencionais semelhantes. Esses resultados foram obtidos em 2005, mas permaneceram sem divulgação até novembro de 2007, quando alguns pesquisadores perceberam que nem o INRAN e nem o Ministério da Agricultura publicariam as informações e decidiram divulgar o caso para a imprensa.

Mesmo assim, a pesquisa recebeu pouca atenção da mídia. “Ao invés de focar nos resultados positivos ou pressionar o Ministério da Agricultura sobre as implicações da supressão de informações, apenas alguns veículos da imprensa consideraram a história relevante”, diz a Nature.

A revista conclui seu editorial com a frase: “Agora parece que apenas certos tipos de conhecimento são bem-vindos por alguns de seus líderes nacionais, imprensa e ativistas (da Europa)”.

Fonte: Nature