Quem nunca ficou admirado pela beleza de um Ipê cheio de flores? Mas o Ipê não é valorizado apenas por suas flores. Por possuir madeira nobre, a árvore é matéria-prima para a indústria madeireira. O ipê-roxo, por exemplo, é bastante cobiçado para a construção de decks, jardineiras e mesas, principalmente nos Estados Unidos. O material obtido a partir da planta é denso, durável e resistente. Infelizmente, isso também significa que o Ipê é alvo de exploração ilegal de madeira.

As autoridades ambientais se esforçam para conter esse crime, mas a busca por madeireiros ilegais é uma tarefa difícil. Uma pesquisa genética da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Universidade Federal de Lavras (UFLA), entretanto, pode ajudar a mapear com bastante precisão de onde a madeira do Ipê-roxo foi tirada. Assim, seria possível determinar se um objeto feito com madeira veio de uma área de preservação ambiental. O trabalho poderá ajudar a reconhecer fraudes praticadas por conta da exploração ilegal de reservas.

Com tecnologias de DNA cada vez mais poderosas e acessíveis, pesquisadores conseguiram identificar genes altamente diversificados e estruturalmente conservados no ipê-roxo. O sistema indica onde as variações ocorrem no genoma das plantas e a frequência com que são encontradas em uma população. Essas variações genéticas são o resultado de processos que tornam características hereditárias mais ou menos comuns. Como isso é influenciado pelo ambiente, a acumulação de determinadas características indica que a árvore deve estar associada com determinadas regiões. Os resultados dessas pesquisas foram divulgados na DNA Research e na Heredity.


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A contribuição da genética para preservação do ipê

Para realizar a pesquisa, os cientistas já haviam sequenciado o genoma do ipê-roxo no começo de 2018. “Depois do sequenciamento do DNA, uma nova fase da pesquisa priorizou o desenvolvimento de ferramentas moleculares baseadas em SNPs (Single nucleotide polymorphisms) para a análise da variação genética de populações, com o intuito de auxiliar estratégias de conservação biológica e possivelmente de valorização do seu uso em sistemas de produção”, esclarece o pesquisador da Embrapa Orzenil Silva Junior.

Muito além de combater a exploração ilegal de madeira…

Por tratar-se de espécie praticamente sem domesticação, as ferramentas genéticas podem apoiar uma introdução mais rápida dessas espécies no melhoramento genético. Isso poderá trazer benefícios tanto para os agricultores interessados no cultivo comercial da planta quanto para a preservação do ipê.

Além disso, laboratórios de pesquisas tem se dedicado ao estudo da planta. Partes do vegetal mostram-se promissores no combate a alguns tipos de câncer. Entretanto, efeitos adversos ainda estão em fase de investigação.
Fonte: DNA Research, Heredity, EMBRAPA. Redação CIB, março de 2019.