A Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), ligada às Nações Unidas, publicou em Roma, sede da entidade, o documento “O estado da alimentação e da agricultura 2003-2004/Biotecnologia agrícola: satisfazendo as necessidades dos pobres?”. O texto examina o estado atual das evidências científicas e econômicas referentes ao potencial da biotecnologia agrícola, particularmente da engenharia genética, no sentido de combater a questão da fome nas nações empobrecidas.Na avaliação da FAO, a agricultura no século 21 está experimentando mudanças sem precedentes. Um adicional de 2 bilhões de pessoas terá que ser alimentado nos próximos 30 anos a partir de uma base de recursos naturais cada vez mais frágeis. Mais de 842 milhões de pessoas, de acordo com as estatísticas, estão cronicamente famintas, a maioria delas em áreas rurais de países pobres. E outros milhões sofrem por deficiências de micronutrientes, uma forma traiçoeira de má nutrição causada pela baixa qualidade ou baixa diversidade de suas dietas habituais.Diz o documento: “A biotecnologia pode superar fatores que limitam a produção e que pelo melhoramento convencional são mais difíceis ou mesmo sem solução. Ela pode acelerar os programas de melhoramento convencional e fornecer aos agricultores material para plantio livre de doenças. Pode criar plantas resistentes às pragas e doenças, substituindo agrotóxicos que prejudicam o meio-ambiente e a saúde humana, e pode oferecer ferramentas para diagnósticos e vacinas que ajudam no controle de doenças devastadoras que afetam os animais. Pode aumentar a qualidade nutricional de alimentos básicos como arroz e mandioca e criar novos produtos para uso farmacêutico e industrial.”Por outro lado, a entidade faz questão de ressaltar que a biotecnologia não é uma panacéia, uma solução isolada de vários contextos. Ou seja, “ela não pode resolver as lacunas em infra-estrutura, mercados, capacitação em programas de melhoramento, sistemas de entrega de insumos e serviços de extensão, os quais dificultam todos os esforços no sentido de promover o crescimento agrícola em áreas pobres e remotas. Alguns desses desafios podem ser mais difíceis para a biotecnologia do que para outras tecnologias agrícolas, porém outros podem ser mais fáceis. Tecnologias que são incorporadas em uma semente, como a resistência a insetos por transgenia, podem ser de mais fácil adoção por pequenos agricultores que tecnologias mais complicadas que requerem outros insumos ou complexas estratégias de gerenciamento.”Leia no site do CIB a Introdução da Parte 1 e o item 5 da Seção B, na íntegra, em português. Esses textos apresentam os objetivos do estudo da FAO e avaliam os temas mais relevantes envolvendo a biotecnologia, como segurança alimentar, impacto ambiental, alergenicidade e toxicidade. Para ler todo o documento original, em inglês, visite o site da FAO.