OGM e Transgênicos: você sabe a diferença?

/OGM e Transgênicos: você sabe a diferença?

Bióloga, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e diretora-executiva do CIB.

Organismos geneticamente modificados (OGM)  e transgênicos têm significados distintos, mesmo que geralmente sejam tratados como sinônimos. Mas você sabe a diferença entre eles? Vamos explicar em detalhes a diferença para evitar confusão na hora de denominar cada um.

O que são OGM – organismos geneticamente modificados

A legislação brasileira diz que, independentemente da origem do material genético, todo o organismo que tiver seu DNA modificado por meio de qualquer técnica de Engenharia Genética é considerado um OGM. Essa modificação pode ou não inserir um gene externo no DNA do organismo. A técnica contribui para desenvolver organismos com características de interesse específico a exemplo de cor, tamanho, velocidade de crescimento e etc.

 

Inicialmente, a seleção das sementes era realizada apenas por meio de técnicas convencionais, como o cruzamento entre plantas. Com o passar dos anos, descobriu-se como as características são passadas de uma geração para outra e qual o papel da genética neste processo. As técnicas foram aprimoradas e as descobertas tornaram-se cada vez mais detalhadas. Os novos métodos utilizados permitiram que os genes fossem transferidos sem a reprodução sexual. A tecnologia que permitiu esse avanço ficou conhecida por Engenharia Genética.

Dessa maneira, um OGM pode

  • ter a adição de um gene proveniente de uma espécie não sexualmente compatível (transgênico)
  • ter a adição de um gene de uma espécie com a qual poderia haver um cruzamento (cisgênico)
  • ter um ou mais de seus genes deletados.

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Cisgênico significa que o organismo teve seu DNA modificado por meio de biotecnologia usando apenas genes de espécies que podem ser cruzadas naturalmente. Um dos exemplos mais conhecidos de cisgenia é resultante da pesquisa para tornar batatas resistentes ao fungo patogênico Phytophthora. Os pesquisadores implantaram nas batatas um gene de resistência ao fungo presente em batatas selvagens.

20 anos de transgênicosO que são transgênicos

Transgênicos são organismos que tiveram seu código genético modificado por meio da biotecnologia. Essa alteração inseriu no genoma desse organismo o DNA de espécies que não são compatíveis sexualmente.

Dessa forma, todo o transgênico é OGM, mas nem todo OGM é transgênico.

São exemplos de aplicação da biotecnologia:

  • Na agricultura: soja, milho, algodão, canola e cana-de-açúcar tolerantes a herbicidas, resistentes a insetos, vírus, estresses abióticos (seca, solos salinos, excesso de água) e/ou com composição nutricional melhorada;
  • Na saúde: tratamentos por meio de terapias gênicas, medicamentos para o tratamento de câncer, insulina produzida a partir de microrganismos transgênicos, mosquito da dengue geneticamente modificado para combater a transmissão da doença, vacinas veterinárias e humanas;
  • Na aquicultura: salmão transgênico que cresce mais rápido;
  • Na indústria de alimentos: uso de microrganismos transgênicos na produção de queijos, vinhos, cervejas e pães;
  • Na indústria química: uso de enzimas produzidas por microrganismos geneticamente modificadas para decomposição de moléculas de gordura em detergentes.

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O Brasil é o segundo maior produtor de transgênicos do mundo. As principais culturas são: soja, milho, algodão e, mais recentemente, a cana-de-açúcar.

A maior parte dos transgênicos hoje disponíveis no mercado foram desenvolvidos para auxiliar os produtores no combate a pragas nas plantações. Por conta das características inseridas, tolerância a herbicidas e resistência a insetos, essa tecnologia otimiza o uso de defensivos agrícolas nas lavouras, protegendo o solo, a água, o ar, os agricultores e, claro, o consumidor.

OGM - Plantas transgênicas

Como identificar transgênicos na alimentação

O alimento transgênico pode não ser identificado a olho nu. Dessa maneira, para saber se um alimento é ou tem em sua composição um ingrediente transgênico é preciso fazer testes em laboratório. No Brasil, um produto que contenha mais de 1% ingrediente transgênico em sua composição deve conter as seguintes informações:

  1. símbolo de transgênico na embalagem. É representado por um triângulo amarelo, com a letra T dentro;
  2. frase “produto produzido a partir de soja transgênica” ou “contém soja transgênica”;
  3. nome da espécie doadora do gene junto à identificação dos ingredientes ou sigla OGM (Organismo Geneticamente Modificado).

É importante saber que a rotulagem não tem relação com a biossegurança dos transgênicos, e sim com o direito à informação.

OGM e Transgênicos fazem mal à saúde?

A resposta é não. Existe um mito de que os alimentos geneticamente modificados fazem mal à saúde, mas isso não tem nenhum embasamento científico. Segundo a nutricionista e doutora em Ciência dos Alimentos, Neuza Brunoro, todos os produtos derivados da biotecnologia e destinados à alimentação humana passam por rigorosas avaliações sobre sua biossegurança. “Até hoje não foram constatados problemas de saúde relacionados com a ingestão de alimentos produzidos a partir de plantas transgênicas nos estudos que antecederam a liberação comercial ou no consumo desses produtos”, afirma.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os alimentos geneticamente modificados comercializados não apresentam mais riscos à saúde humana, animal ou ao meio ambiente do que as culturas não modificadas.


Aplicações da biotecnologia e o melhoramento genético

O melhoramento genético existe há milhares de anos, desde o começo da domesticação, cruzamento e seleção das melhores plantas e animais. Mas foi em meados do século 20 que descobertas sobre o DNA revolucionaram as pesquisas científicas e a biotecnologia. “O século 20 trouxe avanços incríveis na compreensão da genética, a descoberta do DNA, do código genético e de como interpretar os genomas. E cada uma dessas descobertas facilitou o melhoramento na agricultura.”, explica a diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani.


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Os transgênicos foram produzidos graças aos avanços na biotecnologia. “Com o advento da tecnologia do DNA recombinante, tornou-se possível isolar com precisão o fragmento de DNA desejado, diferentemente dos processos biológicos tradicionais, que eram aleatórios”, explica a pesquisadora Simone Scholze¹.

Biotecnologia é o conjunto de conhecimentos, técnicas e métodos de base científica ou prática que permitem a utilização de seres vivos como parte integrante e ativa do processo industrial de bens e serviços.²

¹SCHOLZE, S.H.C Patentes, transgênicos e clonagem, Ed. UNB, 2002

² CARVALHO, A.P. Patentes para biotecnologia, Ciência Hoje, p. 72-75, jul. 1992

Por: Adriana Brondani em 29-05-2018 | Atualizado em 16-10-2018 | Categorias: Conceitos

Bióloga, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e diretora-executiva do CIB.