Qual o impacto dos transgênicos no meio ambiente?

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Engenheiro agrônomo, pós-doutor em Bioquímica e Biologia Molecular e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Diversas entidades de pesquisa, públicas e privadas, desenvolvem estudos sobre a segurança de organismos transgênicos no meio ambiente. Para tanto, são feitos diversos testes em diferentes ecossistemas do Brasil e do mundo. Os resultados dessas pesquisas são apresentados pelas entidades à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), como exigência para que sejam avaliadas novas solicitações para ensaios experimentais, bem como para comercialização de organismos geneticamente modificados (OGM).


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A legislação brasileira é uma das mais rigorosas do planeta em questões de segurança de transgênicos no meio ambiente. As instituições do País são obrigadas a seguir protocolos rígidos em seus experimentos de risco ou impacto ambiental, os quais são aprovados e acompanhados por comissões internas especializadas.

Todos os resultados mostrados à CTNBio podem ser consultados pelo público, por meio da solicitação de cópias dos processos. Na avaliação da segurança ambiental, são consideradas as características dos organismos parentais não transgênicos e dos genes inseridos, o que eles expressam e o conjunto das características biofísicas do ambiente de análise. Até hoje, todos os testes confirmam a segurança dos transgênicos no meio ambiente.

Transgênicos no meio ambiente e sustentabilidade

Conciliar atividades tradicionais a tecnologias inovadoras é uma das maneiras de atingir esses objetivos. Vivemos um momento em que o planeta já ultrapassou a marca de 7 bilhões de habitantes. Além disso, a previsão é que cheguemos a 10 bilhões em 2050. Segundo estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), para abastecer a população mundial em 2050, será preciso ampliar a produção em 60%. Para atender a essa demanda, cerca de 80% do crescimento da produção nos países em desenvolvimento deverá vir do aumento da produtividade e apenas 20% do aumento da área. Esse crescimento acelerado levanta uma preocupação: será preciso usar mais recursos naturais. Entretanto, esses recursos são limitados.

Por isso devemos recorrer ao aumento de produtividade de maneira sustentável. É preciso concentrar esforços para tornar a agricultura ambientalmente correta e economicamente dinâmica. Ao aliar diferentes tecnologias que permitam conservar o solo, economizar água, proteger habitats e a biodiversidade, o uso de transgênicos na agricultura não apenas ajuda a garantir produção de alimentos no século XXI, como também melhora a qualidade de vida e a saúde dos agricultores.

Fazer mais com menos é o coração do conceito de economia verde. Isso seria possível por meio da otimização do uso de recursos naturais disponíveis e minimização dos impactos. Esse conceito também exige repensar o crescimento desordenado da população e traz consigo o desafio extremo de erradicar a pobreza no mundo. Essas questões sempre fizeram parte da pauta da pesquisa em biotecnologia, por meio do desenvolvimento de plantas resistentes à seca ou à salinidade e que, portanto, precisariam de menos água ou água de menor qualidade para serem cultivadas. A consciência coletiva e os imperativos do mercado contemporâneo exigem dos cientistas e da direção das empresas a consideração de todas as dimensões da sustentabilidade em suas atividades.

Biotecnologia e Biodiversidade

TransgenicosMeioAmbienteA biotecnologia, técnica usada para desenvolver transgênicos, tem uma relação com a biodiversidade muito além do prefixo “bio”. Ela é uma ferramenta para monitorar o processo de diminuição da variabilidade genética e a eventual extinção de espécies ameaçadas. A quantificação da variabilidade genética (diversidade de genes) existente em cada espécie é obtida por meio do sequenciamento de seu genoma. Deve-se ressaltar que a variedade genética é a base da perpetuação de todos os seres vivos.

Já a biodiversidade é o elemento fundamental para o equilíbrio ambiental do planeta. Auxilia os ecossistemas a reagirem melhor às alterações causadas por fatores naturais e sociais. Fornece condições para que o ser humano adapte-se às mudanças operadas em seus meios físico e social. Neste contexto, é principalmente como matéria-prima para avanço do setor biotecnológico, que a biodiversidade assume caráter estratégico pelo valor da informação genética nela contida e pela potencial utilização dessa informação.

Assim, a biotecnologia contribui, principalmente, para o aumento da produtividade no campo. Recupera áreas abandonadas e reduz a pressão por novas fronteiras agrícolas, conservando a biodiversidade. Há diversos relatos de retomada de insetos e pássaros em lavouras transgênicas resistentes a insetos que deixaram de ser tão pulverizadas com defensivos agrícolas.

Resumindo: transgênicos, biotecnologia e meio ambiente

A biotecnologia e os transgênicos, sem dúvida, são e continuarão sendo uma aliada do meio ambiente. Não devemos abrir mão deles para atingir nossos objetivos e suprir nossas necessidades. O uso de conhecimentos já tradicionais, de insumos e máquinas agrícolas, de sementes cada vez mais eficientes e protegidas e de soluções integradas são algumas das alternativas para produzir alimentos de acordo com os preceitos da economia verde.

 

Por: André Luis Coelho em 27-04-2018 | Atualizado em 02-05-2018 | Categorias: Impactos Ambientais

Engenheiro agrônomo, pós-doutor em Bioquímica e Biologia Molecular e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).