A genética é uma ciência que faz parte da biologia. Ela tem como objetivo compreender a transmissão das características dos seres vivos para seus descendentes, ou seja, a hereditariedade. O primeiro pesquisador a entender como ocorria esse processo foi Gregor Mendel. Por isso é considerado o Pai da Genética.

genética conceito

Presente em nosso dia a dia, a genética nos ajuda a entender não só o processo de hereditariedade mas também o mecanismo de desenvolvimento de muitas doenças (animais e vegetais).

Permite, por exemplo, o tratamento e a prevenção de diferentes tipos de cânceres a partir da identificação de mutações, no DNA, relacionadas à predisposição genética ao desenvolvimento dessa doença.
Além disso, os avanços na genética permitiram a criação de novas áreas na biologia, como é o caso da biotecnologia. Essa nova área do conhecimento emprega técnicas modernas para o desenvolvimento de novos medicamentos, plantas mais produtivas e microrganismos mais eficientes.


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História da genética

Desde a antiguidade, filósofos já se questionavam sobre a hereditariedade. Aristóteles (384-322 a.C.), por exemplo, acreditava na existência de partículas que seriam responsáveis pela transferência de características durante a reprodução.

Apenas na metade do século XIX é que essas “partículas” começaram a ser visualizadas. Por meio de trabalhos que investigavam o comportamento de células em divisão, foram identificadas estruturas que, posteriormente, ficariam conhecidas como cromossomos.

Ainda no século XIX acreditava-se que os descendentes eram uma mistura de 50% de cada um dos pais. No entanto, casos como o das ovelhas negras filhas de ovelhas brancas atormentavam os cientistas por não confirmar essa hipótese válida para diversas outros casos.

Foi Gregor Mendel o responsável por esclarecer como as características dos seres vivos eram transmitidas entre as diferentes gerações. Mendel realizou diversos cruzamentos entre ervilhas com diferentes características. Identificou que, pelo menos, dois fatores influenciavam a expressão de um determinado caráter. O seu trabalho Experimentos em híbridos de plantas foi publicado em 1866.

As Leis de Mendel evidenciaram que, durante o processo de reprodução, esses fatores, hoje conhecidos como alelos ou genes, se separaram. Dessa forma, apenas um (01) gene de cada genitor é transmitido aos descendentes.
Existem pelo menos duas cópias para cada gene que serão transmitidas de forma independente (uma cópia vem da mãe e outra cópia do pai) para cada característica, a interação desses genes resultará no fenótipo.


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A criação oficial do termo “genética” como ciência da hereditariedade e da variação se deu em 1906. O nome foi criado e proposto pelo biólogo inglês William Bateson, pesquisador influenciado pelos trabalhos de Mendel. A sugestão ocorreu durante uma conferência internacional de hibridização de plantas, que passou a ser chamada de conferência internacional de genética.

Avanços na genética

Mendel conseguiu mostrar a frequência com que as características eram transmitidas aos descendentes. Décadas depois, James Watson e Francis Crick apresentaram, em 1953, a estrutura em dupla hélice onde essas características se organizavam. Vale lembrar que os dois pesquisadores não teriam chegado a estrutura proposta sem as contribuições de Rosalind Franklin.

Crédito: A. Barrington Brown/Science Photo Library

 

A estrutura de dupla hélice é o ácido desoxirribonucleico, também conhecido como DNA. A molécula é responsável por guardar as informações de desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos. A partir desse conhecimento, outros pesquisadores conseguiram compreender a origem das características avaliadas por Mendel e afirmar que tal estrutura funcionaria da mesma maneira para todos seres vivos.

A molécula de DNA é como se fosse um livro de culinária. Ali estão todas as receitas para construção das proteínas que formam os organismos vivos. No entanto, para a produção dessas proteínas é necessário que o DNA seja “reescrito” em forma de uma nova molécula: o de ácido ribonucléico (RNA). O RNA vai ser “traduzido” e dar origem às proteínas. As diferentes características observadas pelos cientistas de tantas épocas, como as cores das ovelhas e das ervilhas, são resultados das combinações de diferentes proteínas.

A partir dessas descobertas, a genética avançou de tal forma que, hoje, não só prevemos as características dos descendentes, mas também as controlamos. Isso é possível graças ao desenvolvimento da tecnologia do DNA recombinante, que permitiu a manipulação das características genéticas.

Essa técnica possibilita o isolamento de um trecho de DNA e sua inserção em uma bactéria, e outros organismos, a fim de produzir cópias desse trecho. Os organismos transgênicos, editados geneticamente e até mesmo a ovelha Dolly são frutos desse aprendizado.


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O avanço da genética foi responsável pelo desenvolvimento de tecnologias que geraram grandes modificações no mundo. Um exemplo são as novas formas de se produzir alimentos e remédios.

A constante evolução dessa área do conhecimento continua a trazer inovações. Hoje já é possível identificar, a partir da análise do seu DNA de determinada pessoa, as chances de ela desenvolver uma doença.

Conceitos em genética

O estudo da genética é acompanhado por muitos conceitos e nomes que, às vezes, não são tão comuns. Para facilitar a seu aprofundamento no assunto, criamos um glossário com os principais termos:

Ácido desoxirribonucléico

Também conhecido como DNA, é responsável por guardar toda informação genética de um organismo. É formado por uma cadeia de bases nitrogenadas (Adenina, Guanina, Citosina ou Timina), uma pentose como açúcar e um ácido fosfórico.

Ácido ribonucléico

Também conhecido como RNA, é responsável por controlar a produção de proteínas. É formado por uma cadeia de bases nitrogenadas (Adenina, Guanina, Citosina ou Uracila), uma ribose como açúcar e um ácido fosfórico.

Alelo dominante

Sequência alternativa de um gene cuja expressão (fenótipo) é visualizada em homozigotos (usualmente simbolizados por AA) e heterozigotos (Aa).

Alelo recessivo

Sequência alternativa de um gene cuja expressão (fenótipo) é visualizada somente em indivíduos homozigóticos (usualmente simbolizados por aa).

Célula diploideCélula diploide

Essas células são representados pelo símbolo “2n” e possuem o conjunto de cromossomos duplicado. Ou seja, uma célula com dois conjuntos de cromossomos.

 

Célula haploideCélula haploide

Células haploides são representadas pelo símbolo “n” e possuem apenas um conjunto de cromossomos.

 

Cromossomo

É a estrutura formada pela compactação do DNA. Os cromossomos são encontrados dentro da célula e contém todos os genes responsáveis pela sobrevivência de um organismo.
Fenótipo e Genótipo

Fenótipo

É o aspecto de uma característica com relação ao genótipo. Pode sofrer influência do ambiente. Por exemplo, cor de flores.

Gene e Alelo

Os genes são sequências específicas de DNA ou RNA e são responsáveis pelas instruções de montagem de uma proteína. Um Alelo é cada uma das várias formas de um mesmo gene.

Genótipo

É o conjunto de alelos para uma determinada característica.

 

Genoma

É toda a informação hereditária “escrita” no DNA de um organismo (RNA no caso de alguns vírus). Ou seja, é formado por todos os cromossomos.

Heterozigoto

Pares de alelos apresentam sequência gênica distinta. Em alguns casos, como no das ervilhas de Mendel, os heterozigotos podem ser chamados de híbridos.

Estrutura do DNA

Homozigoto

Pares de alelos que possuem a mesma sequência gênica.