Cientistas internacionais que compõem o Consórcio para Sequenciamento do Genoma do Camundongo (Mus musculus) concluíram o sequenciamento do genoma do animal e verificaram que, curiosamente, apresenta mais diferenças do que imaginavam, em comparação com o genoma humano.

Apesar de o camundongo ser o principal modelo animal usado como base para a pesquisa de doenças que afetam o corpo humano, os pesquisadores provaram que há particularidades nas diferenças entre as duas espécies.

O artigo, publicado na PLos Biology, revelou que um quinto dos genes do camundongo é feito de cópias que surgiram nos últimos 90 milhões de anos. De acordo com um dos autores do estudo, Leo Goodstadt, da Universidade de Oxford (Reino Unido), o sequenciamento do genoma estava incompleto. “Nosso retrato do genoma do camundongo até então estava incompleto. Quando conseguimos juntar todas as peças que faltavam no quebra-cabeça percebemos que estávamos deixando de lado um grande número de genes encontrados apenas no camundongo, e não em humanos”, disse Leo Goodstadt, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, um dos autores do estudo.

Do outro lado, o estudo verificou que homem e camundongo têm em comum cerca de 80% de seus genes e a identificação de tais genes amplia diretamente a capacidade de empregar alvos específicos e mais adequados para o estudo de doenças humanas.

O sequenciamento permite distinguir exatamente como separar a biologia humana da biologia do camundongo. Ao preencher as lacunas deixadas por versões anteriores do genoma do roedor da família dos murídeos, os pesquisadores do consórcio conseguiram identificar muitos genes até então desconhecidos.

Na comparação com o mais recente esboço do sequenciamento que foi publicado, o genoma completo apresenta 1.1259 genes que são específicos do camundongo – não compartilhados com o homem.

Segundo o estudo, muitos dos genes agora descobertos estão evoluindo em velocidade absolutamente inusitada, provavelmente como resultado de uma espécie de combate evolucionário entre o camundongo e suas células reprodutivas.

“O grande esforço coletivo para completar o sequenciamento valeu a pena. A partir de agora, as novas descobertas que serão feitas permitirão deixar de lado equívocos que vínhamos cometendo e revelar muitos segredos da biologia do camundongo”, disse Deanna Church, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, outra autora da pesquisa.


O artigo completo está disponível em: PLoS Biology.
 
Fonte: Agência FAPESP 27 de maio de 2009