Genoma da nozCientistas da Universidade da Califórnia, Davis, nos Estados Unidos, acabaram de sequenciar o genoma da noz inglesa. E você aí pensando que só existia um tipo de noz. Pois é, existem vários e a noz inglesa, que por aqui também é conhecida como noz comum, é uma das variedades. O sequenciamento do genoma de um organismo é fundamental para o melhoramento genético de qualquer espécie. É por meio dele que identificamos genes com características de interesse como resistência a doenças, adaptabilidade a condições climáticas e etc.

Os cientistas californianos reconhecem a importância de entender profundamente a composição genética das culturas, especialmente aquelas economicamente relevantes. O objetivo deles, no caso da noz, é garantir que o Estado continue a cultivar os atuais 99% de todas as nozes dos EUA. A indústria da fruta na Califórnia envolve 4800 produtores e movimenta R$ 1,6 bilhões de dólares por ano. E tudo isso pode estar em risco porque as mudanças climáticas devem mudar drasticamente as condições de cultivo no estado. Por isso, é importante saber se, entre os genes da planta, já existe algum que permita que ela se adapte a esse novo ambiente.


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O novo estudo, publicado na revista científica Nature em março de 2019, usou uma abordagem inédita para o sequenciamento de genomas: a leitura de longas sequências de DNA e o mapeamento ótico de genomas. Essas duas técnicas são consideradas as mais recentes e precisas para esse tipo de análise e podem gerar o melhor sequenciamento de uma árvore perene da história. Parece legal, não é? E é mesmo. Como se isso não bastasse, os pesquisadores americanos aproveitaram para escanear também o genoma da “prima” da noz inglesa, a noz selvagem norteamericana.

O líder da investigação científica, Ming-Cheng Luo, afirma que o processo de sequenciamento para as duas variedades foi concluído na metade do tempo por conta da abordagem utilizada. Além disso, ele vê potencial no uso da mesma estratégia para outros vegetais. “Essa conquista pode levar a um entendimento muito mais detalhado de espécies de nozes, mas também de amêndoas, pistaches e uvas”, afirma Luo.

Genoma da noz já havia sido sequenciado em 2015

Cientistas da mesma universidade já haviam sequenciado o genoma de outra noz em dezembro de 2015. À época, entretanto, a variedade cujo DNA foi mapeado foi a comercial Chandler, fruto de cruzamentos entre diversas outras. Ela foi escolhida por sua importância econômica: era a nogueira que ocupava metade de toda a área destinada à cultura no estado americano da Califórnia.

Curiosidades sobre a noz

Ao que tudo indica, o nome nogueira-comum, que nós adotamos por aqui para nos referimos à noz-inglesa, é mais adequado. Isso porque, pasmem, ela não é inglesa. A teoria mais aceita até agora diz que ela é de origem asiática, mais especificamente da Pérsia (atual Irã). De qualquer maneira, uma coisa é certa, ela não é inglesa.

Os frutos dessa planta são muito resistentes e têm sabor adstringente. A polpa do fruto também é usada para a produção de óleo de noz, que é também comestível. Nozes são ricas em Ômega-3 (tipo saudável de gordura) e seu consumo moderado pode reduzir o risco de doenças cardíacas.

A árvore pode medir até 25 metros e sua madeira é de ótima qualidade. Suas folhas contêm um óleo aromático, além de possuir flores apreciadas para decoração.

 

Fonte: Nature, abril de 2019