Depois da água, o café é a bebida mais consumida no mundo.  No Brasil, importantíssimo produtor do grão, a situação é mesma: só a água bate o tradicional cafezinho. Estimativas apontam que, globalmente, aproximadamente 2,25 bilhões de xícaras de café sejam servidas todos os dias. As mudanças climáticas, entretanto, devem reduzir em até 50% as áreas próprias para o cultivo de café até 2050. Além disso, também é esperado que alterações no regime de chuvas e na temperatura do planeta tornem os cafezais mais suscetíveis a doenças e pragas. Por tudo isso, é extremamente relevante o anúncio recente da Universidade da Califórnia – Davis. Os cientistas norteamericanos, depois de terem sequenciado o genoma do café Coffea arabica  em 2017, agora disponibilizam publicamente essas informações.

O sequenciamento do DNA do café foi realizado por uma colaboração entre os cientistas Juan Medrano, Allen Van Deynze e Dario Cantu. Todos eles são pesquisadores da Universidade da Califórnia – Davis. “As informações contidas no genoma do café são cruciais para o desenvolvimento de variedades do grão com maior qualidade, resistência a doenças e que possam se adaptar às futuras condições climáticas da Terra”, afirma o geneticista Juan Medrano. Ele continua: “Esperamos que o sequenciamento do DNA da planta beneficie a todos que, de alguma maneira, trabalham com café, incluindo pequenos agricultores de todo mundo”.


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O C. arabica  é um híbrido derivado do cruzamento entre duas outras espécies de café: o C. canephora (robusta) e seu parente próximo C. eugenioides. Como resultado desse cruzamento, o complexo genoma do C. Arabica tem 44 cromossomos. Já o Robusta com 22 cromossomos. 

 Genoma do café – a história do sequenciamento

A Guatemala, na América Central, é uma famosa nação produtora de café. O país tem 300 microclimas e oito regiões cafeeiras reconhecidas. Seu solo rico em minerais e sua tradição centenária de cultivo permitem a produção de cafés complexos e saborosos. Como nada nessa vida é coincidência, esse é também o país de origem de Juan Medrano, um dos geneticistas responsáveis pelo sequenciamento do genoma do Arabica.

Há alguns anos, os conterrâneos de Medrano o incentivaram a usar técnicas genômicas para melhorar o Coffea arabica . Isso porque, em 2014, pesquisadores já haviam usado técnicas similares para o mapeamento do genoma da espécie Coffea canephora, conhecida popularmente como robusta. Esse foi o pontapé inicial para que Medrano, que, à época, trabalhava com pecuária, buscasse a parceria dos melhoristas de plantas da Universidade da Califórnia – Davis. Três anos depois o resultado dessa parceria foi concluído e, agora, disponibilizado para a comunidade científica global.

Arábica x Robusta

O café é uma cultura tropical provavelmente originária da Etiópia. Os cafezais crescem em uma faixa de terra que não excede os 25 graus ao norte e ao sul do equador.

A espécie arábica de café é responsável por 70% da produção global devido à qualidade dos aromas e à sua maior doçura. O café Arábica se desenvolve melhor em altitudes elevadas (acima de 600m e, os melhores arábicas, geralmente acima de 1000m). Consequentemente, se dá bem em uma temperatura mais amena. O Arábica atualmente possui um valor de mercado mais alto que o Robusta, pois é considerado um café com mais qualidade

O robusta é usado para compor blends e cafés instantâneos. Necessita de um clima mais quente e úmido, ou seja, se adapta melhor em solos abaixo de 600m de altitude. O nível de cafeína é outro ponto que gera muita curiosidade entre estas espécies. Os estudos revelam que o Robusta tem um percentual de 2,5% de cafeína, o que equivale a quase o dobro do Arábica.

Fonte: Universidade da Califórnia – Davis, 28 de maio de 2018