Morangos que durem mais nas prateleiras e geladeiras, que tenham mais nutrientes, e que sejam ainda mais saborosos estão cada vez mais próximos dos produtores e consumidores. É isso que dizem os pesquisadores da Universidade da Califórnia, Davis, nos EUA. No trabalho publicado na revista Nature, os cientistas apresentaram ao mundo o sequenciamento do genoma do morango cultivado, abrindo inúmeras possibilidades para a fruta.

O morango cultivado atualmente (Fragaria x ananassa) originou-se na Europa após uma espécie européia entrar em contato com uma trazida da América do Sul na década de 1970. O resultado são os morangos de coloração vermelha que conhecemos. Eles são bem diferentes dos de polpa branca que os europeus estavam acostumados.

Esse é o primeiro trabalho a montar por completo o genoma dessa planta, embora a versão selvagem já tenha tido seu DNA mapeado em 2010. No  morango cultivado foram identificados 108,087 genes que agora servem de referência para identificação de regiões do DNA que possam ser importantes para o melhoramento genético do morango.

Importância do sequenciamento do genoma do morango

Genoma do morangoPara entendermos a importância do sequenciamento, imagine receber um livro que você não consegue ler. Mesmo com imagens em algumas páginas, é evidente que ali existem informações que não serão desvendadas. 

Podemos dizer que todo organismo vivo guarda um desses livros, o genoma, também conhecido como DNA. Sabendo disso, cientistas desenvolveram métodos para acessar esse livro (extração de DNA) e técnicas para traduzi-lo (sequenciamento de DNA).

O sequenciamento do genoma do morango, publicado no início de 2019 por pesquisadores do norte da Califórnia, revelam os segredos das características dessa fruta tão sensível e saborosa. Resta aos cientistas estudarem a melhor forma de utilizarem essas informações.


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Quem produz morango?

Não é à toa que pesquisadores da Califórnia investiram tanto no sequenciamento do genoma do morango. Esse estado norteamericano contribui com mais de 80% da produção mundial da fruta. Além disso, as principais cultivares de morango plantadas pelo mundo, inclusive no Brasil, foram desenvolvidas em Universidades da Califórnia.

Antes do sequenciamento, o desenvolvimento de uma nova variedade de morango levava muito tempo, sendo difícil selecionar  plantas que fossem resistentes a doenças e pragas ou que fossem mais suculentas e duráveis. Com o genoma do morango decifrado, será possível identificar os genes responsáveis por determinadas características (a exemplo da resistência a doenças) e usar as ferramentas do melhoramento genético e da biotecnologia para desenvolver um morango resistente.


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O Brasil, apesar de ter dobrado sua produção de morangos em 2018, chegando a 80 mil toneladas, ainda está muito longe dos milhões de toneladas produzidos pelos Estados Unidos. No entanto, somos os maiores produtores da América do Sul.

Pesquisa nacional

Os programas brasileiros de melhoramento genético, em centros de pesquisas como os da Embrapa e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), desenvolveram  pelo menos seis cultivares nacionais na década de 1990.

Atualmente, porém, as variedades desenvolvidas pelas universidades da Califórnia  dominam os campos brasileiros. No entanto, ainda não existem cultivares que satisfaçam as necessidades da planta frente ao clima e aos patógenos específicos do Brasil.

O sequenciamento do genoma morango irá ajudar os pesquisadores brasileiros a superarem os desafios impostos pelas características exclusivas do País. Isso contribuirá para o desenvolvimento de cultivares para diferentes sistemas de produção, como o orgânico e o hidropônico.

Frutas mais doces, nutritivas e que durem mais estarão na mira dos cientistas. Ou seja, o futuro do morango é promissor e ainda mais delicioso.

 

Fonte: Redação CIB, abril de 2019