Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Adelaide – Waite, na Austrália, conseguiu gerar plantas mais tolerantes à salinidade por meio de novas técnicas de modificação genética. O processo consiste, basicamente, em conter o sal em partes da planta em que ele não causa danos.

A salinidade causa grandes prejuízos à agricultura mundial, por isso os resultados desta pesquisa poderão trazer benefícios para a segurança e a produção alimentar mundiais.

O projeto foi liderado por pesquisadores do Centro Australiano para Genômica Funcional de Plantas (ACPFG, na sigla em inglês) e da Escola de Agricultura, Alimentos e Vinho da Universidade de Adelaide, em colaboração com cientistas do Departamento de Ciências de Plantas na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Os resultados do trabalho foram publicados no principal periódico científico de plantas do mundo, o “The Plant Cell”, no último dia 08 de julho.

“O efeito da salinidade nas plantas vem crescendo no mundo todo, particularmente nas terras irrigadas, nas quais um terço do alimento mundial é produzido. E isso é um problema que está só piorando, pois a pressão para o uso de menor quantidade de água está aumentando e a qualidade da água, diminuindo” disse o coordenador da equipe, Mark Tester, da Escola de Agricultura e do ACPFG. “Ajudar plantas a resistir a esta violenta quantidade de sal terá um impacto significativo na produção mundial de alimentos”, completou.

O cientista diz que sua equipe usou a técnica de manter o sal – como os íons de sódio – fora das folhas novas (brotos). Os pesquisadores modificaram genes responsáveis pelos dutos de condução de água na planta (xilema), de forma que o sal é removido do sistema de transpiração antes de chegar aos brotos.

“Isso reduz a quantidade de sódio tóxico no desenvolvimento dos brotos e, assim, aumenta a tolerância da planta à salinidade” afirmou Tester. “Fazendo isso, temos aumentado o processo usado naturalmente pelas plantas para diminuir o movimento de sódio nos brotos. Usamos a modificação genética para amplificar o processo, ajudando plantas a fazer o que elas já faziam, mas agora melhor”, explicou.

A equipe está agora no processo de transferência desta tecnologia para cultivos de arroz, trigo e cevada. “Nossos resultados no arroz, particularmente, têm sido bastante promissores”, adiantou o cientista.

Fonte: CheckBiotech – 08 de julho de 2009