Pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA) já identificaram um pequeno grupo de genes responsáveis por “dizer” às plantas onde e como produzir um hormônio fundamental para o seu desenvolvimento. Tais conclusões ajudam a entender as maneiras pelas quais a produção hormonal nas plantas afeta tanto o crescimento quanto a capacidade de uma planta se adaptar à mudança ambiental. Dr. José Alonso, professor assistente de Genética, e uma equipe de geneticistas e botânicos do Estado da Carolina do Norte, da Alemanha e da República Checa conduziram as pesquisas. Os resultados foram publicados na revista Cell.

O crescimento e o desenvolvimento das plantas são regulados por um pequeno número de hormônios que as plantas combinam de várias formas, para que possam se adaptar e resistir às mudanças das condições ambientais. A auxina e o etileno são dois dos mais importantes reguladores destes hormônios do crescimento.

Os cientistas haviam estabelecido previamente que plantas respondem diferentemente ao etileno, dependendo do tipo de tecido vegetal em que é aplicado, da fase de desenvolvimento da planta e das condições externas do ambiente. Eles também sabiam que a presença de auxina, outro regulador do crescimento, serve, muitas vezes, como um “gatilho” para a planta produzir mais etileno, mas tinham dúvidas sobre as maneiras que auxina foi sintetizada. “A auxina controla quase todos os processos em uma planta”, diz Alonso, “e por isso é muito importante para compreender como e porque ela é produzida dentro da planta”.

Para descobrir mais sobre como a produção da auxina é acionada, a equipe do Estado de Carolina do Norte identificou uma estirpe modificada de Arabidopsis, que tem um sistema radicular insensível ao efeito inibitório de crescimento pelo etileno. Quando a equipe analisou o genoma desta estirpe, descobriram que a falta de resposta ao etileno se devia a mudanças em um gene chamado TAA1. Este gene produz uma proteína necessária para a síntese de auxina. Em uma planta normal, o gene TAA1 reconhece a presença de etileno como um sinal para fazer proteínas que, por sua vez, sintetizam auxina, que controla o crescimento.

Os pesquisadores descobriram que, se o gene TAA1 e dois outros genes relacionados forem nocauteados, a planta terá 50% menos auxina que o normal. O estudo foi o primeiro a estabelecer relação entre uma determinada família de genes, de resposta específica do etileno e produção de auxina nas plantas.

“Se nós queremos fazer uso inteligente da biotecnologia nas plantas, produzi-las de modo que amadureçam em uma determinada taxa ou de modo que sejam bem adaptadas a ambientes particulares, precisamos compreender mais sobre a interação entre esses hormônios”, disse Alonso.

FONTE: Checkbiotech – 7 de abril de 2008