A Índia, que registrou o crescimento mais rápido de adoção de cultivos geneticamente modificados (GM) no mundo, poderia atingir a auto-suficiência alimentar ao permitir a comercialização de cultivos transgênicos, segundo o chefe de um órgão global de pesquisa.

“A Índia pode se tornar auto-suficiente na produção de alimentos por meio da biotecnologia em cultivos alimentares”, afirmou Clive James, presidente do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia. O país, que é o segundo maior produtor de trigo do mundo, comprou 5,5 milhões de toneladas do grão em 2006 e 1,8 milhões de toneladas no ano passado, inflamando os mercados globais de commodities.

A Índia ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o segundo maior produtor de algodão na safra de 2006/07, após a adoção da variedade transgênica, que tem uma área estimada em 6,33 milhões de hectares ou 66% da área total de algodão em 2007/08, passando dos 3,69 milhões de hectares de 2006/07, de acordo com o Cotton Advisory Board.

O primeiro cultivo transgênico indiano destinado à alimentação é a berinjela. Os ensaios de campo tiveram início em agosto de 2007 e a comercialização está prevista para 2009, de acordo com CD Mayee, cientista sênior e presidente da Agricultural Scientists Recruitment Board.

“Entre os cultivos alimentares, a maior oportunidade é o arroz”, disse James. Os indianos estão em segundo no ranking da produção mundial do grão, e já possuem campos de testes de arroz transgênicos que esperam comercializar até 2011, de acordo com Mayee.

Oportunidades em Biocombustíveis

“A biotecnologia pode resolver as necessidades de biocombustíveis do mundo e a Índia, que é o segundo maior produtor de açúcar do mundo, só tem a ganhar”, declarou James.

Mayee disse que a Índia está trabalhando para obter tecnologia para o desenvolvimento de cana transgênica com melhor produção de etanol que o Brasil. James salienta que a aplicação de biotecnologia na jatropha, um cultivo energético que lidera a campanha para a biotecnologia indiana, só será possível após o desenvolvimento da primeira geração de alimentos, rações e fibras vegetais geneticamente modificados terem sido desenvolvidas.

“O maior risco associado a esta tecnologia na Índia é não se aproveitar dela”, disse James.

FONTE: Checkbiotech – 26 de fevereiro de 2008