insôniaSe você passa noite em claro e está em busca de informações sobre como dormir melhor, essa notícia é para você.  Pesquisadores da Califórnia (EUA) publicaram recentemente, na revista científica Molecular Psychiatry, um trabalho que investiga as raízes genéticas da insônia. A pesquisa confirmou que o distúrbio tem um componente hereditário e está relacionado a variantes em alguns cromossomos. No caso do cromossomo 7, essas variantes são próximas ao gene associado ao consumo de álcool e a outros vinculados ao desenvolvimento do cérebro e à sinalização elétrica relacionada ao sono. Além disso, as contribuições genéticas para a insônia nessas pessoas foram significativamente correlacionadas com transtorno depressivo e diabetes tipo 2. De acordo com os autores, os resultados do estudo fornecem informações para o desenvolvimento de novos tratamentos.

Para chegar a essas conclusões, o grupo de cientistas analisou as informações genéticas de milhares de participantes do estudo para determinar a ligação entre o distúrbio e variantes genéticas específicas. Foram analisadas amostras de DNA de mais de 33 mil pessoas. Os autores ressaltam que os resultados estão de acordo com teorias anteriores relacionadas à insônia. “Diversas variantes genéticas identificadas estão relacionadas ao sono e aos ritmos circadianos. Os locais cromossômicos associados à insônia podem contribuir para aumentar riscos genéticos vinculados a outras condições de saúde, incluindo transtornos psiquiátricos e doenças metabólicas.”

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a insônia é um problema de saúde que afeta muitas pessoas. A dificuldade para dormir, o despertar precoce, o sono leve, interrompido ou agitado são características do distúrbio. Segundo especialistas, quando crônico, o problema pode levar a doenças cardíacas, diabetes tipo 2, transtorno de estresse pós-traumático e até suicídio.


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Outros estudos sobre insônia

Segundo os autores, outros estudos realizados mostraram uma base hereditária para vários traços relacionados ao sono. Uma pesquisa com adolescentes com insônia e seus membros familiares de primeiro grau demonstrou alta herdabilidade desse transtorno. Outro estudo, com gêmeos, constatou que fatores genéticos influenciam os sintomas de insônia em adultos, especialmente em mulheres. Além disso, essas influências são amplamente estáveis ​​ao longo do tempo.

Tratamento da insônia

Apesar desse progresso, os desafios permanecem. É preciso, por exemplo, melhorar nosso conhecimento sobre os mecanismos relacionados à insônia e desenvolver terapias mais eficientes e acessíveis. É fundamental entender quais são as causas da problema, para que o tratamento seja voltado para o fator desencadeador. Assim, será possível realizar intervenções, que podem ser medicamentosas ou não.

Insônia no Brasil e no mundo

Cerca de 72% dos brasileiros enfrentam problemas relacionados a distúrbios do sono, segundo uma pesquisa recente da empresa Royal Philips. Outra pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) declarou que mais de 11 milhões de brasileiros, o equivalente a 7,6% da população, usam medicamentos para dormir.  Dados da OMS apontam que 45% da população mundial sofre de insônia, sendo considerada uma epidemia global que ameaça a qualidade de vida das pessoas.  

Fonte: Molecular Psychiatry, Redação CIB, setembro de 2018