As pesquisadoras Kristy Hawkins e Christina Smolke, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena (EUA), fizeram experimentos com leveduras transformadas em fábricas para produzir uma série de alcalóides – compostos químicos, como a morfina, que possuem átomos de nitrogênio e, em muitos casos, apresentam propriedades farmacêuticas interessantes. Sabe-se que existem milhares de diferentes alcalóides, porém apenas alguns podem ser obtidos em quantidades significativas.

Alcalóides são sintetizados em seqüências de reações bioquímicas que envolvem muitas enzimas e sofisticados mecanismos reguladores. As cientistas focaram nos alcalóides benzilisoquinolina (BIA), que incluem morfina e codeína. Foram inseridos dentro das células de levedura genes de três plantas: das papoulas do ópio, Papaver somniferum, da Thalictrum flavum e da planta utilizada como modelo para experimentos, Arabidopsis thaliana. Esses genes codificam enzimas que ajudam a produzir o BIA.

Moléculas intermediárias que podem ter propriedades interessantes são produzidas por este caminho, mas a complexidade desses produtos químicos – e o fato de que eles se apresentam em pequenas quantidades – fazem com que sua extração ou síntese seja difícil e cara.

Outros cientistas têm utilizado leveduras para produzir, de forma bem-sucedida, compostos como hidrocortisona e o precursor do ácido artemisínico, droga antimalárica.

Fonte: Nature News e Medindia – 10 de agosto de 2008